Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 26/10/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais imperioso do Brasil, prevê em seus artigos o direito fundamental à educação e cultura inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se apresentado na prática, especialmente quando se observa os desafios para a prática da leitura, dificultando, desse modo, a democratização dessa objetividade. Diante disso, faz-se necessário apontar os pilares que contribuem para esse quadro, que são, principalmente, as políticas públicas precárias delegadas pelo Estado, bem como a lentidão e a burocracia nos processos do país.

Antes de tudo, deve-se ressaltar como fator para esse impasse os cortes orçamentários estatais, como exemplo, a redução do repasse de verbas para o setor educacional. Nesse sentido, com essa austeridade econômica, programas realizados pelo Ministério da Educação (MEC), como o “Conta pra Mim” estão debilitados, não conseguindo atender a alta demanda de necessitados dos seus benefícios, conforme pode ser observado na pesquisa lançada pelo Banco Mundial, onde aponta que, os estudantes brasileiros vão demorar quase 300 anos para alcançar a qualidade de leitura dos países desenvolvidos. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre com a sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como educação e cultura, o que, infelizmente, é evidente no país.

Ademais, é fundamental pontuar o retardo dos trâmites administrativos como motor do problema na Nação. Sendo assim, medidas necessárias para a valorização da leitura acabam não sendo tomadas no devido momento, de maneira que a União pouco investe em planejamentos educacionais que enaltecem o “Conte pra mim” para a sociedade, tal como seus propósitos, que abrangem desde o estímulo até o ensino de técnicas simples para a realização da leitura em casa. Assim, por desinformação, a população não cobra, de modo amplo, das entidades públicas, maior atenção a essa pasta que se faz tão necessária à dignidade humana.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é mister que o Governo Federal melhor distribua o orçamento destinado à educação, por meio de cortes em verbas supérfluas, para serem redirecionadas ao MEC, a fim de ofertar maior qualidade de vida aos seus beneficiados. Paralelamente, é dever do Ministério das Comunicações promover uma sensibilização da população, recorrendo às redes sociais , com textos de caráter educativo , ressaltando a necessidade da manutenção de projetos como o “Conta pra Mim” e de todo o seu aparato. Logo, será possível a permeação, na sociedade, dos elementos elencados na Carta Magna, democratizando e enaltecendo o quadro da leitura brasileira.