Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 29/10/2021
A leitura como imperativo
A leitura é uma das ferramentas indispensáveis ao homem, visto que conecta símbolos, significantes e significados à vivência humana. No entanto, no Brasil contemporâneo, essa prática se demonstra escassa, devido à ausência de costume de leitura e à falta de investimentos.
Em primeiro plano, segundo a autora Lygia Fagundes Telles, a leitura liga o sujeito a um imaginário ilimitado, traz à tona um universo multifacetado, além disso, pincela a alma humana com múltiplas cores. Nessa lógica, a leitura é o que o indivíduo tem de mais virtuoso neste plano terreno, já que, a partir desse exercício, ele é capaz de entrar em contato com diversas realidades, entender o mundo que o circunda e incorporar elementos ao seu repertório identitário. Entretanto, a cultura do não costume fere a preciosidade de uma experiência literária, pois, para que essa atividade seja completa, faz-se necessário o hábito, o desbravamento dos mares literários, a incorporação totalizante dos vocábulos, e, acima de tudo, o prazer diante das páginas. Em suma, a falta de prática de leitura configura como sendo um ato de irracionalidade, porque priva o ser de infinitos saberes.
Outrossim, de acordo com o pensamento machadiano, as experiências íntimas determinam o comportamento do sujeito adulto, ou seja, o menino é o pai do homem. Paralelo a isso, o macrocosmo social juvenil pode ser entendido como a infância do indivíduo, enquanto a sociedade amadurecida pode ser compreendida como o adulto maduro. Assim, uma civilização que não investe em leitura representa um retrocesso humano, e é exatamente o que acontece no território brasileiro. Dessa forma, a falta de investimentos na leitura materializa malefícios sociais, como um empobrecimento da criticidade e carência de reflexão sobre a realidade intra e interpessoal. Em síntese, a falta de investimento é uma problemática estrutural que empobrece o espírito humano e dá à luz a uma coletividade desvirtuosa.
Portanto, é de suma importância romper com os desafios mencionados e colocar a leitura como protagonista da trama social. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação unido ao Ministério da Cultura devem implementar projetos que conscientizem a população, por meio de palestras educativas abertas ao público que valorizem a atividade literária, que explicitem a real valor da leitura e invistam em mais bibliotecas pelo país, com o intuito da sociedade ter maior acessibilidade em relação aos livros. Ademais, é imperativo que a instituição social escola desenvolva uma socialização secundária que vise à incorporação da prática da leitura, por intermédio de oficinas de leituras cotidianas, para que os alunos criem esse costume. Feito isso, a leitura, no Brasil, deixará de ser uma mera coajuvante social.