Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/11/2021
De acordo com o educador brasileiro Paulo Freire, a leitura é um instrumento de cidadania que dá escolhas e oportunidades aos que dela fazem uso. Nessa perspectiva, a sociedade brasileira enfrenta, atualmente, o desafio da formação de novos leitores. Em tal contexto, percebe-se a configuração de graves problemas de contornos específicos, em virtude da metodologia educacional e das alterações tecnológicas no campo editorial.
Primeiramente, cabe salientar que a estrutura de ensino no Brasil está assentada, há muitas décadas, sobre um modelo rígido e burocrático. Sob esse aspecto, o neuropedagogo ítalo-brasileiro Pierluigi Piazzi explica que esse modelo desestimula o aprendizado. Esse viés inflexível da matriz pedagógica brasileira prejudica a formação de novos leitores desde a escola até a fase adulta. Isso se dá porque não há uma correlação palpável entre a leitura como é vista na escola e a realidade sociocultural dos alunos. Além disso, tal fato acontece, também, por conta da pouca base cultural de muitos jovens, que não conseguem acompanhar o raciocínio de escritores mais rebuscados. Desse modo, aumenta-se o hiato entre os livros e os cidadãos que deveriam fazer uso dos conhecimentos obtidos na leitura.
Nesse arcabouço, sabe-se que o mercado editorial sofreu enormes alterações ao longo dos últimos anos. Atualmente, é possível acessar milhares de obras por dispositivos “inteligentes” como Kindle e Kobo – conhecidos como “e-readers”. Esses equipamentos trazem novas funcionalidades como marcações, dicionários, pesquisas instantâneas na rede e uso de “hiperlinks”. Tais recursos facilitam a experiência de imersão em literatura e em livros técnicos, de forma a propiciar a introdução de novos usuários, inclusive estudantes. Contudo, o preço dos leitores eletrônicos continua bastante acima do ideal, de modo que ele seja inacessível para a maioria da população.
Portanto, é imperioso que o Estado, por meio do Ministério da Educação, elabore um projeto que facilite a aquisição de dispositivos móveis de leitura por estudantes e por pessoas hipossuficientes. No caso dos estudantes, o Estado deve garantir que os equipamentos sejam entregues aos usuários e, mais precisamente, que contenham acesso a todas as obras necessárias para a boa formação escolar. Com isso, espera-se que os alunos façam uso dos recursos a fim de melhorarem suas experiências pessoais com as obras literárias. Com tal projeto, cria-se uma nova oportunidade para possíveis leitores, que poderão fazer uso de conhecimentos adquiridos a fim de exercerem mais profundamente suas cidadanias.