Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 10/11/2021

A crônica “Tortura e Glória”, de Clarice Lispector, conta da paixão de uma menina pela leitura e da importância disso em sua vida. Contrariamente, no Brasil atual, tristemente, as pessoas não possuem o hábito de leitura. Decerto, isso decorre tanto da negligência estatal quanto da falta de debates acerca do tema.

Sobretudo, é necessário destacar a forma como Estado costuma lidar com a questão da leitura no Brasil. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a escassez de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação da “Constituição Cidadã”, que garante o direito à educação. Isso é perceptível na falta de bibliotecas públicas que permitam e incentivem a leitura equitativa, pois o Brasil já conta com alta no preço dos livros, além de, de acordo com o site G1, possuir uma proposta parlamentar sobre taxação desses. Assim, infere-se que, tristemente, os brasileiros não possuem uma vivência como aquela apresentada por Lispector, haja vista que não possuem fácil acesso à leitura.

Além disso, cabe ressaltar a precária difusão do assunto como outro motivador alusivo à carência de leitura no Brasil. Nessa ótica, como afirmou o pedagogo Paulo Freire, “Se a educação sozinha não consegue transformar a sociedade, sem ela, tampouco a sociedade muda”. Em concomitância a essa assertiva, é evidente que a lacuna de debate sobre a falta da prática de ler contribui com sua manutenção, visto que, sendo pouco discutido, as pessoas não tomarão consciência da importância da prática, como o desenvolvimento intelectual e a ampliação vocabular. Dessa maneira, percebe-se que a escassez de ensino, no que concerne ao aprendizado por meio de livros, faz da afirmação de Freire, tragicamente, uma realidade.

Logo, medidas são necessárias para mitigar a lacuna no hábito da leitura no Brasil. Assim, cabe ao governo federal, Poder Executivo no âmbito da União, por meio de verba, construir bibliotecas públicas em todo o território nacional. Deve também, por meio de parcerias público-privadas, criar campanhas de incentivação à leitura, com o fito de despertar nos brasileiros o interesse pela prática de frequentar as bibliotecas criadas. Espera-se, com isso, que cada vez mais indivíduos adotem a paixão pela leitura, como em “Tortura e Glória”.