Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 19/11/2021

No livro ‘’Quarto de Despejo’’, a ilustre escritora Carolina Maria de Jesus relata seu enfrentamento contra condições de grande pobreza e, por possuir acesso restrito a todas as formas de arte e cultura, vislumbra a prática da leitura. Nesse contexto, é preciso rever o sério contexto de disparidade social perpetuado no Brasil, que priva de milhares de pessoas o acesso ao universo literário. Assim, a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a gritante negligência estatal e problemas no ensino básico brasileiro.

Inicialmente, é lícito postular que o acesso á leitura é um bem de valor inegociável. Apesar disso, é alarmante a imprevidência do Estado em garantir o hábito literário entre a população. Segundo o pensador Gilberto Dimenstein, em sua obra ‘’Cidadão de Papel’’, a legislação é ineficaz, visto que, todos possuem direitos no plano teórico, mas que, muitas vezes não se concretiza na prática. Prova disso é a falta de amparo educativo previsto pelo ártico 6° da Constituição de 1988, evidenciando a insuficiência de práticas públicas eficazes. Isso é evidente seja pelo grande número de analfabetismo no país, como também pela grande desigualdade social que, por precisarem trabalhar desde a infância, priva de muitos o acesso aos centros educativos. Dessa forma, constata-se a grande falha do poder estatal em garantir o combate as dificuldades para o letramento.

Ademais, é igualmente preciso mencionar a deficiência da educação de base em instigar a formação de novos leitores. Para entender tal alusão, é relevante relembrar que cabe a escola o dever de fortalecer o desenvolvimento da leitura, consoante ao prestigiado educador, Paulo Freire. Sob essa ótica, pode-se afirmar que as instituições de ensino, uma vez que são conteudistas e não incentivam a leitura no cotidiano das crianças e adolescentes, não cumprem sua papel de servir de porta de entrada para o desenvolvimento de novos leitores como Freire idealizou.

Portanto, convém intervenções resolutivas para combater essa ferida social. É de urgência que o governo federal, em parceria com o Ministério da Educação (MEC), promovam ações para o combate aos desafios para o exercício da leitura no Brasil. Entre essas ações, deve-se incluir a criação de incentivo a projetos pedagógicos na escolas e comunidades que fermentam a prática , como também invistam em ensino básico, por meio de matérias didáticos e infraestrutura que atenda toda a demanda da população. Assim, será possível construir pessoas empoderadas e com autonomia.