Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 15/09/2022
No conto “O Sonho de um Homem Ridículo”, de Fiodór Dostoiévski, apresenta-se a história de um narrador que sonha com uma sociedade perfeita, a qual é marcada pela ausência de distúrbios sociais. Fora da ficção, a realidade brasileira destoa do enredo supracitado, tendo em vista a desvalorização da leitura na vida dos cidadãos. Nesse sentido, observa-se um delicado problema, que tem como causas a cultura imediatista e a lacuna educacional.
Diante desse cenário, o ritmo de vida acelerado da contemporaneidade mostra-se um complexo dificultador. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na sua obra “Modernidade Líquida”, que o imediatismo é uma das principais características da pós-modernidade. Sob tal ótica, nota-se que as pessoas, em sua maioria, buscam obter prazer de uma forma mais imediata e por isso não sentem o desejo de ler um livro por considerarem uma tarefa difícil e demorada, na qual é preciso dedicar tempo. Assim, por falta de incentivo, a sociedade considera que é melhor aproveitar o tempo livre com um entretenimento mais superficial como assistir novelas ou acompanhar os famosos nas redes sociais, rejeitando algo mais que demande mais profundidade e reflexão como os livros. Dessa forma, é necessário combater esse modo de vista imediatista e incentivar a sociedade a buscar conhecimento e cultura.
Além disso, é importante mencionar a falha na base de ensino como agravante ao tema. Para Immanuel Kant, o homem resulta da educação que teve. Tal perspectiva aponta para a lacuna educacional relacionada ao incentivo da leitura, visto que o sistema de ensino se preocupa em manter um cronograma de matérias e falha em despertar nos estudantes a vontade de ler por satisfação ao invés de ler somente para cumprir tarefas. Desse modo, é preciso que a base escolar seja repensada.
Portanto, o governo federal deve implementar nas escolas um método de ensino destinado a valorizar a leitura, por meio de programas educativos, nos quais os professores orientarão os alunos a superar a mentalidade imediatista, dedicando horários na escolar para a leitura como momento de lazer. Espera-se, com isso, que tenhamos uma sociedade mais justa e livre de problemas sociais como no conto de Dostoiévski