Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 06/02/2022

Origens do pequeno número de leitores no Brasil e a necessidade de democratizar esse acesso

Paulo Freire durante a sua luta pela democratização do ensino no Brasil dizia que a educação era um ato de resistência, e além do mais, ele dizia que ela não transformaria o mundo, mas que mudaria as pessoas para que essas pudessem mudar o mundo. Durante o processo de formação da educação brasileira, percebe-se desde cedo um atraso na formação intelectual e altos índices de analfabetismo durante a colonização portuguesa, cujas consequências perduram até hoje nas nossas raízes. Um exemplo a ser dado é que, apesar das constantes melhorias de acesso à leitura com o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) liderada pelo Governo Federal é fato que a alta incidência de impostos sobre o livro e o pouco incentivo à leitura vêm restringindo o acesso democrático a esse recurso; segundo o IBOPE nos últimos 4 anos perdemos 4,6 milhões de leitores.

Historicamente, desde a formação do Estado brasileiro percebe-se a íntima ligação entre a educação e a sua concentração nas altas classes sociais. Deste modo, boa parte da formação da atual  conjuntura social deveu-se a políticas de não incentivo à formação intelectual. Tanto que durante a formação da nossa Literatura em 1601, com o Barroco de Gregório de Mattos (filho de um senhor de engenho), era comum que boa parte da população não participasse desse meio como público leitor.

Nesse sentido, a formação intelectual brasileira sofreu vários atrasos e as consequências dos altos índices de analfabetismo, herdados desse período, perduram até os dias atuais. Não só devido ao sucateamento das bibliotecas, mas também pelo pequeno número delas em relação ao tamanho da população, o que gera problemas ao seu acesso. Além do mais, os constantes aumentos nas taxas de livros como a PL 3.887/2020 que prevê um aumento no preço do livro em 20%, vêm restringindo ainda mais o acesso ao livro, apesar da PNLL objetivar a valorização e o desenvolvimento do valor simbólico dele, fomentar a leitura e a formação de mediadores, além de desenvolver a economia do livro.

Destarte, para que a público leitor brasileiro tenha acesso de qualidade à leitura, é necessário que o Governo Federal através do Ministério da Educação invista maiores recursos na PNLL para diminuir as taxas de impostos sobre os livros, aumentar a formação de mediadores e construir novos espaços para leitura. Desse modo, é preciso que o Ministério da Educação implemente campanhas de acesso a bibliotecas itinerárias, projetos com parques ou praças que possuam espaços adequados à leitura em grupo, além de acervos online para que os alunos credenciados nos banco de dados do governo possam ter acesso aos diversos autores - isso de acordo com o seu gosto literário - a fim de que assim a leitura seja valorizada como um símbolo democrático para a mudança cultural e a melhoria de vida.