Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/08/2022

A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, prevê a todo cidadão o pleno direito à educação e ao bem-estar social. Entretanto, os ideais da Carta Magna não são levados à prática, uma vez que o ato da leitura não acontece de forma uniforme no país. Logo, faz-se necessário analisar como as omissões governamental e midiática contribuem para a permanência desse cenário negativo.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para solucionar o problema. Nesse sentido, o sociólogo Nick Couldry afirma que existem inúmeras vozes, que por serem minorias, são postas à inexistência. A esse respeito, devido à falta de investimentos administrativos que incentivem à leitura, como por meio da construção de bibliotecas em locais mais distantes dos centros urbanos, muitos cidadãos que residem em áreas periféricas não têm acesso a livros gratuitos, o que faz analogia ao sociólogo. Dessa maneira, é inaceitável que um país democrático não universalize esse direito constitucional tão importante.

Em segunda análise, nota-se que a omissão midiática atua como outro agente que fomenta esse impasse. Sob essa perspectiva, o sociólogo Karl Marx declara que priorizar os lucros em detrimento de valores pode gerar inúmeros malefícios para a sociedade. Da teoria à prática, compreende-se que a mídia possui elevado potencial de divulgação, no entanto, ao não persuadir, por meio das redes sociais, sobre a importância dos livros para o crescimento mental e social do indivíduo, ela negligencia o tema. Desse modo, por conta da carência de visibilidade dada à questão, a problemática se mantém no Brasil.

Portanto, a fim de que os desafios para a prática de leitura seja amenizado, o Ministério da Educação, por intermédio de investimentos governamentais, deve criar um projeto estatal responsável pela criação de políticas públicas, com o auxílio da mídia, que não apenas construa bibliotecas públicas nas áreas com déficit de leitura, como também conscientize o corpo social acerca da importância dos livros para o desenvolvimento próprio. Espera-se, com isso, que os princípios da Carta Magna sejam executados na realidade brasileira.