Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 30/09/2022

O curta-metragem “Meu amigo Nietzsche”, de Fáuston da Silva, retrata a história de Lucas, um menino com dificuldades de aprendizagem e que, após o contato com um livro encontrado no lixo, desenvolve seu raciocínio crítico e passa a dominar conceitos. Embora ficcional, nota-se que a obra reflete uma realidade no Brasil: a falta de leitura e suas consequências. A partir desse contexto, é fundamental compreender o que motiva essa situação e os impactos gerados pelo déficit do hábito de ler.

A princípio, deve-se ressaltar que a falta de estímulo à leitura por parte do Estado e da família, na infância, impedem a inserção da prática leitora. Isso ocorre porque, ainda que a Lei 14407 defina, como prioridade, a leitura na educação básica, a ineficiência do sistema educacional – com políticas educativas deficitárias e obsoletos métodos de ensino – e a omissão familiar relativa ao incentivo ao hábito da leitura pelos seus filhos acentuam o problema em questão. Dessa forma, perpetuam, na sociedade, indivíduos acríticos e com desempenhos escolares abaixo do necessário.

Consequentemente, um dos impactos desencadeados pela não formação leitora é o baixo desempenho educacional estudantil, como mostram dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, nos quais 51% dos estudantes estão abaixo do nível 2 de leitura. Além disso, acentua-se o número de analfabetos funcionais no país, isto é, pessoas que sabem ler, mas não conseguem interpretar informações apresentadas, e de indivíduos com pouco conhecimento, baixa bagagem cultural e sem a formação de um pensamento crítico e autônomo.

Portanto, os desafios da prática da leitura devem ser superados. Para isso, é necessário que a família incentive seus filhos a criarem o hábito de ler por meio do frequente contato das crianças com livros e histórias contadas, o que deve ocorrer de forma divertida e entusiasmada para, dessa forma, gerar adesão e paixão pela prática. Visa-se, com tal ação, naturalizar a leitura desde a infância e, assim, contribuir para a formação de indivíduos letrados, com ampla formação cultural e com bom desempenho escolar, bem como reduzir as taxas de analfabetismo funcional no Brasil.