Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 18/10/2022

No célebre filme norte-americano “Sociedade dos poetas mortos”, o professor de inglês John Keating confronta os ideais conservadores da instituição de ensino na qual leciona, incentivando os alunos a desenvolverem um pensamento racional através da apreciação de obras literárias. Todavia, na sociedade brasileira contemporânea, verifica-se uma precariedade no que se refere ao incentivo à leitura. Torna-se necessária, portanto, uma análise dessa problemática, buscando suas causas, consequências e possíveis soluções.

Em primeiro lugar, parafraseando o filósofo inglês John Locke: “o homem nasce como uma lousa em branco”. Sob essa óptica, os educadores combatem entraves ao incentivar o hábito da leitura nos estudantes, uma vez que, em plena era da industrialização, os mesmos se deparam desde os estágios iniciais de sua formação com usos inadequados da tecnologia, que, por sua vez, age como um antagonista do processo pedagógico, impossibilitando uma maior emancipação intelectual.

Além disso, é preciso não apenas aumentar o interesse pela leitura, como também promover sua democratização àqueles que apresentam alguma dificuldade em exercê-la. Embora a Constituição Federal de 1988 afirme que todos têm direito à educação, não é isso o que realmente ocorre, uma vez que cerca de 11 milhões de brasileiros - principalmente os menos favorecidos - ainda sofrem com o analfabetismo (segundo pesquisa do IBGE no ano de 2019), em um processo de completa marginalização.

Diante dos argumentos supracitados, torna-se necessário o trabalho do Estado em conjunto com a mídia, grande difusora de informações, visando esclarecer e persuadir a população acerca da importância do hábito da leitura, através de campanhas publicitárias. Outrossim, é importante também a implementação de políticas públicas que visem a população menos favorecida, como a inclusão de crédito exclusivo para a compra de livros nos programas de transferência de renda. Por fim, o MEC deve realizar investimentos na formação de professores, bem como elaborar uma reformulação na abordagem do mundo literário, com currículos condizentes à faixa etária dos alunos. Dessa forma, será possível a construção de um Brasil mais racional, esclarecido e um pouco menos desigual.