Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 26/10/2022

Na obra literária “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, é retratada uma realidade distópica, na qual livros são queimados por ordem do Estado, a fim de impedir o pensamento autônomo. Desse modo, depreende-se, a partir de reflexões da obra, que a leitura tem o poder de formação crítica. No entanto, hodiernamente, no Bra-

sil, a falta de incentivo nas escolas e a cultura do imediatismo configuram-se como desafios para o desenvolvimento de tal prática no país.

Diante desse cenário, é fulcral retomar o aspecto supracitado quanto à falta de incentivo nas escolas. Nesse contexto, é indiscutível que a insuficiência de políticas socioeducativas destinadas a estimular a leitura em ambientes escolares consiste em um dos entraves para a efetividade do hábito de ler na sociedade. Isso é per-

ceptível pela carência de bibliotecas e espaços literários. Sob essa ótica, em 2019, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica, apenas 45,7% das escolas públi-

cas possuíam bibliotecas ou salas de leituras. Assim, infere-se que, sem o incentivo à leitura nas instituições educacionais, torna-se mais difícil a concretização desse hábito na população brasileira.

Outrossim, é igualmente preciso apontar a cultura do imediatismo como mais um obstáculo para o desenvolvimento da prática da leitura. Para entender tal apontamento, é válido pontuar que a conjuntura imediatista atual ocasiona um comportamento ansioso nos indivíduos, potencializado pela massificação dos mei-os eletrônicos. Nesse sentido, essa postura inquietante dificulta a concentração na leitura. Sob esse viés, em consonância com tal tese, é justo relembrar a obra “Raízes do Brasil”, do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na medida em que ele relata que os indivíduos se relacionam de acordo com a cultura local. Dessa forma, a falta do hábito de leitura é resultado da relação com a cultura imediatista.

Nota-se, portanto, a necessidade de reverter esse cenário de desafios no desen-

volvimento do hábito da leitura. Para isso, o Ministério da Educação, órgão respon-

sável pelas diretrizes educacionais, deve engendrar planos de incentivo à leitura. Tal ação deve ser realizada por meio da implementação de espaços de leitura em todas as escolas do país, a fim de estimular o hábito desde a infância. Ademais, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas contra a cultura do imediatismo.