Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 31/10/2022
Na distopia Fahrenheit 451, os cidadãos não têm acesso aos livros, pois tais objetos são considerados nocivos à sociedade. De maneira análoga, a história ilustra a situação brasileira, uma vez que há diversos empecilhos para a consoli-dação do hábito de ler como parte da cultura nacional. Nesse sentido, destaca-se a ineficácia governamental e a base educacional lacunar como desafios para a propagação da leitura no país.
Sob essa ótica, a atual ação estatal configura-se como um complexo dificultador para democratizar a literatura no território brasileiro. De acordo com o artigo 150 da Constituição Federal de 1988, é vedada a taxação de livros. Assim, a tributação sobre esses materiais é inconstitucional e pode restringir a leitura somente para indivíduos favorecidos economicamente. Logo, nota-se que a ausência de políticas públicas que fomentem o ato de ler, em conjunto com a intenção governamental de taxar tais itens, distancia o acesso à leitura de grande parte do corpo social, que detém baixo poder aquisitivo.
Além disso, o modelo de ensino também é um pilar que sustenta a problemática supracitada. Segundo Sêneca, filósofo romano, a educação influi em todos os aspectos da vida. Contudo, é perceptível que o sistema educacional não incentiva a formação de novos leitores, pois as atividades literárias são dadas como obrigatórias e abrangem somente obras clássicas que, por vezes, não causam interesse na maioria dos estudantes. Desse modo, é notória a inibição acerca da prática social citada, já que apenas 56% da população apresenta o hábito de ler, de acordo com dados da pesquisa Retratos de Leitura do Instituto Pró-Livro.
Portanto, ações devem ser realizadas para a superação dos desafios no acesso à leitura no Brasil. Assim, cabe ao Ministério da Educação, orgão responsável pela regulamentação da instrução nacional, expandir a interação com os livros na base educacional brasileira, por meio de uma reforma nas diretrizes de ensino. Tal ação terá como fito garantir o contato com esses materiais desde a tenra idade, o que favorecerá a inserção do costume de ler na cultura da pátria . Assim, o Brasil poderá distanciar-se da narrativa de Fahrenheit 451, pois a nação irá trilhar o caminho rumo à democratização da leitura.