Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/11/2022
Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca dos desafios para a prática de leitura no Brasil. Esse assunto, infelizmente, não tem tido a merecida importância, devido à falta de reflexão e ao silenciamento midiático. Assim sendo, é imprescindível refletir e intervir em tais problemáticas em prol da plena harmonia social.
Diante desse contexto, é válido destacar o contrassenso como um sustentáculo do óbice. Efetivamente, conforme o conceito de Banalidade do Mal, cunhado pela filósofa Hannah Arendt, a sociedade tende a banalizar males aos quais é frequentemente exposta. Imerso nessa conjuntura, o fato de grande parte da população não praticar a leitura leva, em congruência com Arendt, à normalização por parte do corpo civil, que passa a se portar de maneira irracional diante do imbróglio. Consequentemente, o número de analfabetos funcionais cresce, o que prejudica o progresso do país. Logo, nota-se a influência do ilogismo na construção desse quadro deletério.
Ademais, é lícito mencionar que a inércia da mídia corrobora o dilema. Nessa lógica, consoante o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. A mídia, segundo ele, é uma dessas ferramentas, mas, ao invés de promover debates sobre os prejuízos advindos da falta de prática de leitura - menor agilidade de raciocínio e baixa capacidade interpretativa, por exemplo -, influencia no silenciamento do problema, já que não denuncia como os altos custos e a ausência de incentivo aceleram o crescimento do problema. Por conseguinte, o potencial cognitivo máximo dos individuos que leem pouco ou praticamente deixa de ser atingido. À vista disso, torna-se nítida a relevância da denuncia midiática para o enfrentamento da agrura.
Portanto, cabe ao Governo - órgão responsável por reger o país - estabeler parcerias público-privadas - a partir da oferta de isenção de parte dos impostos -, por intermédio da elaboração de campanhas e comerciais - promovidos por essas empresas - sobre a importância da prática de leitura para a evolção social, com o intuito de remediar a ausência de reflexão e o silenciamento midiático.