Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 03/03/2023

A maioria das pessoas limita os livros à inteligência ou ao sucesso no geral. Apesar de haver algum sentido nas frases de efeito escutadas desde a infância, como “quem lê, enriquece”, essa associação não contribui para o hábito de ler. Entre tantos motivos que apontam o déficit de leitura no Brasil, a falta de conhecimento ou a percepção de que não detêm de conhecimento faz com muitos se afastem da leitura desde cedo, pois pensam que ela seria algo exclusivo do grupo estereotipado de pessoas estudiosas, inteligentes e corretas.

Os anos iniciais nas escolas até o ensino médio são fundamentais para a prática de ler ser uma realidade na vida dos jovens brasileiros. No ambiente escolar, com o auxílio importante de professores, os alunos se voltam para um momento voltado ao aprendizado, que deve ser usado para o estímulo à leitura – não só de livros didáticos, mas de todos os gêneros, no intuito de personalizar a experiência de ler, tornando-a mais íntima e possível. Essa percepção é notada em dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil em sua edição de 2019, apontando o maior número de leitores concentrados nos ensinos fundamentais e ensino médio.

A leitura não deve ser uma prática exclusiva de algum nicho, limitando a riqueza intelectual a apenas um grupo de pessoas, precisa ser democratizada em virtude da expansão de ideias e valores por meio de leitores que leem e dividem o conhecimento com outros indivíduos.

O Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), deve ser reestabelecido integralmente e aprimorado, pois foi comprovadamente eficiente no incentivo à leitura no Brasil. O Estado, também em parceria com instituições privadas, necessita de novas estratégias de incentivo à prática de leitura e implantá-las nas escolas, universidades e espaços públicos, implementando a ideia de que ler é um direito de todos, a buscar esse atraso nacional em face do desinteresse com os livros, que só retroage nossos avanços democráticos, culturais e sociais.