Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 22/06/2023

De acordo com o jurista Thomas Marshall, a cidadania é pautada na habilidade do indivíduo de ser contemplado pelos direitos e exercer os deveres preconizados na Constituição. Ainda, o profissional estabelece que os cidadãos devem ter direitos civis e sociais. Nesse sentido, a prática da leitura estabelece-se como uma ferramenta na promoção de tais direitos, sendo um exemplo desse fato a exigência no mercado de trabalho atual de trabalhadores capacitados nas práticas da leitura e interpretação. Além disso, configuram-se como fatores que desafiam a consolidação da prática da leitura entre a população brasileira a elitização da educação e a baixa qualidade do ensino da leitura no país.

Em primeiro plano, destaca-se o fato de que a elitização do ensino, resultado do sucateamento das instituições públicas de educação, promove a baixa capacitação dos membros das instituições referidas nas mais diversas áreas do conhecimento, sendo a habilidade de leitura uma das principais delas. De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBOPE em 2019, o Brasil perdeu 4,6 milhões de leitores nos últimos 4 anos. Dessa forma, a parcela da população que compõe estes dados passa a sofrer com as ramificações da ausência da prática discutida.

Ademais, estabelece-se o fato de que a reduzida qualidade do ensino da leitura nas escolas é outro fator que impede o aumento do número de leitores no país. Isso se deve ao fato de que, sem o devido incentivo dos professores responsáveis pelas disciplinas de linguagens das suas escolas, as chances das crianças desenvolverem o hábito da leitura se reduzem. Essa realidade resulta da ocorrência da ausência da leitura na maioria das famílias brasileiras que, muitas vezes, faz com que a única oportunidade das crianças desenvolverem esse hábito se apresente na escola. Em adição, a pesquisa realizada em 2019 pelo Portal de Transparência estabeleceu que, do orçamento total de R$118 bilhões, os gastos totais com a educação somaram R$94 bilhões, sendo apenas 17% desse valor destinado à educação básica, exemplifica as noções discutidas.

Portanto, o Governo deve investir na educação básica mediante o uso de fundos no aprimoramento da estrutura das instituições públicas de ensino básico. Além disso, o referido deve, também, promover a melhor capacitação dos professores.