Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/07/2023
No filme norte-americano “Matilda”, retrata-se o cotidiano da protagonista Matilda, uma criança que vive em um ambiente familiar desestimulador, contudo, a personagem encontra no hábito literário uma forma de refúgio mental. Assim como na ficção, é nítido os óbices quanto a falta da presença literária na conjuntura social brasileira, visto que há a elitização do acesso à literatura e a negligência da figura estatal quanto ao desenvolvimento literário popular.
Diante desse cenário, é evidente a desigualdade social ao acesso à literatura no Brasil, visto que se faz presente a elitização e gourmetização do acesso e da aquisição de livros, em que no atual contexto capitalista, há altas taxações em produções literárias, com isso, excluindo as classes baixas ao acesso a literatura. Segundo a Constituição Federal, promulgada em 1988, é um direito social o acesso à educação e lazer, contudo, ainda na realidade social não há a efetivação das medidas legislativas, assim, retardando o desenvolvimento da prática literária à classe majoritária brasileira.
Ademais, é válido ressaltar a indiferença estatal quanto a função social da literatura, em que há a existência do sucateamento e da falta de acesso popular a bibliotecas, com isso, agravando os altos índices de analfabetismo no Brasil. Sob este viés, na obra “Cidadania no Brasil”, o autor evidencia que a raíz da desigualdade social no contexto brasileiro vem de forma histórica, em que o Estado visa a garantia teórica constitucional, mas não garante o pleno exercício.
Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que é uma realidade na sociedade brasileira o déficit literário. Urge que o Ministério da Educação -órgão responsável pelas instituições educacionais brasileiras- faça medidas legislativas de regulamentação para a diminuição nas taxações de livros e a criação de programas de incentivo à literatura em ambientes sociais e acadêmicos, por meio de mídias televisivas e meios tecnológicos de comunicação, para que o acesso a cultura e lazer possam ser garantidos a todos os cidadãos, pois, somente assim, o hábito literário será presente no cotidiano brasileiro.