Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 08/09/2023
No livro “Vidas Secas”, Graciliano Ramos retrata a desigualdade vivenciada por uma família do sertão nordestino, por consequência de sua ignorância e seu desamparo social. Tal pensamento é extremamente atual, já que grande parte da sociedade brasileira sofre com a falta de acesso à educação, principalmente no que se diz respeito à leitura. Por conseguinte, observa-se a negligência estatal relacionada ao assunto e seus efeitos provocados na população do país.
Primordialmente, a deficiência no consumo de livros está diretamente conexa com a falta de influência do Estado brasileiro na educação. Com isso, a garantia da convergência entre a sociedade, leitura e ensino é proposta na atual Constituição no artigo 205 em que qualquer brasileiro possuí direito ao seu desenvolvimento pessoal e intelectual, em que não é colocada em prática. Assim, evidencia-se a indiferença e falta de eficiência estatal em relação a literatura no Brasil.
Como resultado, indivíduos não leitores têm maior possibilidade de sofrerem com de desinformação e isolamento social. Desse modo, José Saramago demonstra, em “Ensaio sobre a cegueira”, uma sociedade cega ao mundo. Analogamente, fora da ficção, pessoas que não sabem interpretar e não possuem senso crítico tornam-se, muitas vezes, “cegas” e apáticas às informações ao seu redor e podendo serem vítimas de fake news, por exemplo. Além disso, em algumas circunstâncias, esses indivíduos tornam-se ermos da sociedade, caso retratado na história de Graciliano Ramos.
Em síntese, conclui-se que a problemática voltada aos livros no Brasil está associada à negligência de Estado e, consequentemente, prejudicando a difusão do intelecto pessoal da sociedade. Portanto, urgem-se medidas para amenizar esse problema. Então, cabe ao Ministério da Educação e a Câmara Brasileira do Livro (CBL) realizar campanhas de incentivo à leitura através das mídias sociais, meio amplamente utilizado pela população, para, assim, fazerem disso um hábito para tais indivíduos. Dessa forma, mudando o cenário atual e descrito em “Vidas secas”, transformando a sociedade brasileira em letrada e independente.