Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 21/03/2025
No Brasil, a prática da leitura enfrenta diversos obstáculos que comprometem o desenvolvimento educacional e cultural da população. Apesar de seu papel fundamental na formação do pensamento crítico e no acesso à informação, ler não é um hábito amplamente cultivado no país. Tal cenário se deve, sobretudo, ao desleixo do poder público em incentivar, de forma efetiva, a aprendizagem e o acesso à leitura, o que perpetua um ciclo de desinteresse e desigualdade cultural.
Dados do IBGE revelam que cerca de 44% dos brasileiros não possuem o hábito de ler e 30% nunca comprou um livro. E os motivos podem variar desde dificuldades no acesso, até a falta de interesse individual. Além disso, também é possível evidenciar a falta de políticas públicas que estimulem esse costume desde a infância. Ao contrário do que ocorre na Finlândia, onde mais de 20 milhões de livros são vendidos por ano, alcançando tanto o público infantil quanto o mais velho. Neste país, o acesso aos livros e bibliotecas de forma gratuita é amplamente garantido. Enquanto no Brasil, uma proposta de reforma tributária feito pelo ministério da economia prevê o aumento no preço dos livros, culminando para o fechamento de livrarias, dificultando ainda mais o contato da população com o mundo literário.
Ademais, a falta de incentivo à leitura também está ligada à desigualdade social e ao que o sociólogo Pierre Bourdieu chama de “capital cultural”, ou seja, famílias com menos recursos educacionais tendem a não estimular esse hábito. Cabe ao Estado suprir essa carência, mas sua atuação é limitada, tornando ineficaz até mesmo campanhas e programas que visam democratizar o acesso à leitura. Como dizia Monteiro Lobato, “um país se faz com homens e livros”, mas sem ações governamentais concretas, o Brasil segue distante desse ideal.
Dessa forma, é evidente que o estímulo à leitura não pode ser responsabilidade exclusiva da população. O governo precisa investir de maneira mais efetiva em políticas educacionais, garantir a presença de bibliotecas escolares bem estruturadas e promover campanhas de incentivo contínuo, para que ler deixe de ser um privilégio e passe a ser um direito de todos.