Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 22/03/2025
O exame nacional do ensino médio é, no Brasil, o maior método de ingresso em universidades, que são, por sua vez, a porta de entrada para o mundo do trabalho. Para a realização de tal exame, é primordial a habilidade de leitura do participante, mais profundamente, a capacidade de compreensão leitora, que pode ser desenvolvida e aprimorada com o hábito de leitura, bem como a ampliação da criatividade, memória, raciocínio e mais; entretanto, o acesso à literatura não é uma realidade na maioria dos lares brasileiros.
Pesquisas apontam que, ineditamente no território nacional, a quantidade de não-leitores é maior que a de leitores; e a tendência é a piora. Vê-se o reflexo de tais circunstâncias no fato de que apenas 12 redações alcançaram nota mil na última edição do ENEM. Com o surgimento e popularização das redes sociais de forma globalizada, a leitura, que já era comumente associada a algo maçante e desnecessário, teve esse estereótipo reforçado e é cada vez mais deixada de lado, por desinteresse, principalmente, da parcela mais jovem da sociedade.
A BNCC contempla a leitura como uma prática de linguagem fundamental para o desenvolvimento da escrita e interpretação textual, todavia não é o cenário apresentado nas escolas de ensino infantil e fundamental que deveriam ser a fonte da paixão e do gosto pela leitura. Ironicamente, dados do “Prova Brasil” revelam que cerca de 55% dos docentes da educação básica não leem literatura com frequência, algo extremamente preocupante de se observar no panorama da sucateada educação nacional.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional garante no artigo 3, inciso IX, a garantia do padrão de qualidade de ensino, desse modo cabe ao ministério da educação demandar mais comprometimento das instituições de ensino para o incentivo à leitura, seja através de novas exigências em concursos públicos na área da educação ou a inclusão de projetos socioculturais de leitura dentro e fora das escolas.