Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 21/03/2025

O livro “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak, retrata a história de Liesel Meminger, uma jovem alemã que vive durante a Segunda Guerra Mundial. Enquanto milhares de livros são queimados e destruídos em toda a Alemanha, a menina alimenta secretamente sua paixão pela leitura, roubando livros que encontra na sua pequena cidade perto de Munique. Fora da ficção, o cenário apresentado se assemelha ao atual cenário brasileiro, no qual é nítido um déficit de leitura em várias camadas da sociedade. Tal problemática se dá devido à dificuldade de acesso aos livros por grande parte da população e à falta de incentivo à leitura pelo sistema de ensino e pela sociedade.

A princípio, vale ressaltar que o acesso aos livros no Brasil é limitado a pouca parte da população, em que o único meio para leitura é através de bibliotecas públicas, que são má distribuídas pelo território brasileiro. Segundo levantamento do G1, há uma biblioteca pública para cada 33 mil habitantes, estando estas em situações precárias em sua maioria. Essa deficiência na oferta de livros gratuitos à população, juntamente com o alto valor destes em livrarias, suscita na baixa adesão à leitura no Brasil, que se ilustra na pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro, em que 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro.

Além disso, vale frisar que a leitura é pouco incentivada por grande parte dos pais e responsáveis, incumbidos de impulsionar o hábito de ler nas crianças, bem como pelo sistema de ensino, que apresenta falhas no processo educacional que levam o aluno a ler por obrigação, causando um distanciamento à leitura, responsável por sérios problemas de aprendizado, como o analfabetismo funcional. Segundo Paulo Freire, é preciso que a leitura seja um ato de amor, e não apenas a decodificação pura da palavra escrita.

Portanto, para mitigar tal problemática, o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Cultura deve, através do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), investir na criação e manutenção de bibliotecas públicas, além de desenvolver programas que incentivem a leitura desde a infância, com distribuição de livros e materiais para escolas e famílias, que devem impulsionar a leitura desde cedo. Desta forma, a prática de leitura poderá ser uma realidade no Brasil.