Desafios para a preservação de parques ecológicos na era da escassez de recursos

Enviada em 10/10/2023

No filme “WALL-E”, animação americana, são retratadas as consequências das ações antropológicas de maneira desordenada na Terra; a humanidade poluiu e destruiu os recursos naturais e o planeta ficou inabitável. Nesse contexto, nota-se que a ficção vai de encontro à realidade quando se trata da preservação de par-

ques ecológicos em virtude da escassez de recursos. À vista disso, é crucial discutir acerca dos elementos que protagonizam a manifestação do revés: a lógica capitalista e a inoperância estatal.

Nesse viés, é válido apresentar o capitalismo como uma das causas do cenário apresentado. Sabe-se que, desde o período colonial, os portugueses desmatavam o Pau-Brasil nas regiões litorâneas com fins totalmente lucrativos. No cenário hodi-

erno, a prática ainda persiste e com maior impacto aos biomas brasileiros, visto que as atividades agropecuárias e a expansão da fronteira agrícola no país atuam negativamente no que tange à conservação da fauna e da flora nacional. Segundo o Relatório Anual de desmatamento, a área desflorestada no Brasil cresceu cerca de 22% em 2022. Logo, denuncia-se que a obsessão pelo lucro atua negativamente na esfera ecológica.

Faz-se oportuno, ademais, analisar a inoperância estatal como fator coadjuvante no agravamento do impasse. Destarte, é profícuo citar a Constituição federal de 1988, que assegura que o Poder Público tem o dever de preservar o meio ambien-

te. Entretanto, é notório que a lei não é colocada em prática quando os números relacionados aos crimes ambientais aumentam exponencialmente. De acordo com o Imazon, o Poder Judiciário e o IBAMA não priorizam a punição dos criminosos contra as unidades de conservação. É perceptível, pois, que enquanto não houver a ressignificação de tal conduta negligente, difícil será alterar o quadro do país.

É preciso, portanto, superar a gênese do problema. Para tanto é dever do Ministério do Meio Ambiente-responsável pela proteção do ecossistema-investir em prevenção aos crimes ambientais por meio da presença de órgãos como o ICM-Bio em áreas de conservação, a fim de garantir maior vigilância e menor acessibilidade aos infratores. Com essas medidas, decerto, poder-se-á evidenciar, em solo nacional, uma realidade longínqua à do filme “WALL-E”.