Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 03/10/2024
“A Casa no Mar Cerúleo”, de T. J. Klune, é uma obra fictícia em que personagens que outrora foram marginalizados ganham cada vez mais destaque. Analogamen-te, as paraolimpiadas marcam a visibilidade das pessoas com deficiência, porém há inúmeros desafios para que os atletas sejam devidamente valorizados. no Brasil. Tal revés perdura pela falta de entendimento do tema e pela omissão estatal.
Nesse contexto, é notório que não há compreensão suficiente sobre a impor-tância e atuação dos atletas paraolímpicos. Acerca disso, Nietzsche reitera a desconstrução de preceitos comuns em prol do corpo social, ou seja, cabe à população o abandono ideias erroneas sobre os atletas paraolímpicos para que eles possam ser valorizados. Sob esse viés, a visão de que esses profissionais apenas preenchem uma cota de inclusão puramente filantrópica e não possuem real relevância em categorias esportivas criteriosas e de alta exigência descredibiliza o esforço e talento dos atletas e perpetua uma visão infantilizada, de acordo com a BBC Brasil, que a população tem em relação às PCDs. Dessa forma, é preciso engajamento popular para o respeito e reconhecimento dos atletas.
Ademais, a falta de iniciativa governamental influi na perduração do problema. Referente a isso, Michel Focault afirma que é papel do Estado assegurar o bem-estar de todos os cidadãos, o que inclui a igualdade, principio que norteia a Constitução Cidadã. Entretanto, a garantia de oportunidades aos atletas portado-res de deficiência não está entre as prioridades da esfera administrativa, uma vez que não há nenhum tipo de projeto que visa desconstruir os tabus sociais sobre deficiências e, consequentemente, dar visibilidade a esses cidadãos. Desse modo, como afirma Simone Beauvoir, a sociedade reforça um comportamente que culmina na estigmatização dessa parcela da sociedade.
Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Educação conscientizar a população sobre o real “peso” das paraolimpíadas e sobre deficiências através de palestras em escolas, universidades e centros comunitários. Tal iniciativa deve contar com atletas paraolímpicos de destaque, sociólogos e médicos. Assim, o real talento desses esportistas será elucidados e o genuíno respeito às deficiências será cultivado.