Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 04/10/2024
A primeira edição das Paralimpíadas ocorreu em 1960 e, desde então, o Brasil destaca-se por estar entre os dez países com mais medalhas da história. Entretan-to, embora isso seja um enorme marco, os profissionais desse grande evento ainda são marginalizados no cotidiano. Dito isso, os dois principais desafios para a valori-zação de atletas paraolímpicos no contexto nacional são a banalização da invisibili-dade e o capacitismo.
Em primeira análise, o menosprezo de tal parcela da população ocasiona-se pela generalização da ocultação desses jogadores. Nesse contexto, segundo a so-cióloga Hannah Arendt, quando uma ação transgressiva ocorre múltiplas vezes, aqueles que a observam param de enxergá-la como errada. Dessa forma, a con-tínua carência de representações de esportistas com deficiência na esfera midiática tornou-se tão comum que pode interferir no reconhecimento de seus esforços pela sociedade. Logo, a trivialização de condutas segregacionistas provoca uma forte depreciação da vida dos participantes desses campeonatos esportivos.
Em segunda análise, a discriminação social é, também, um componente favo-rável à desvalorização dos membros paralímpícos no país. Sob esse viés, segundo o filósofo frânces Voltaire: “O preconceito é a opinião sem conhecimento”. Assim, a categorização dessa minoria como exemplos de superação e a subestimação de seus potenciais, ambos frutos de um pensamento coletivo alienado, podem infligir na questão inclusiva das Paralimpíadas. Desse modo, o desmerecimento das habilidades dos astros desses torneios deriva-se das atitudes capacitistas, as quais definem essas pessoas pelas suas deficiências, desconsiderando suas identidades.
Portanto, para que os desafios para a valorização de atletas paralímpicos no Brasil sejam solucionados, cabe ao Comitê Paralímpico Brasileiro, em apoio com as mídias sociais, promover a tomada de consciência acerca da relevância do tema, por meio de eventos, os quais demonstrem a rotina de tais profissionais. Isto posto, espera-se que haja um maior conhecimento e mais visibilidade em relação à vida dessa parcela minoritária. Por conseguinte, a expectativa é de que a sociedade brasileira esteja cada vez mais orgulhosa do seu país por ser um dos enormes recordistas das edições das Paralimpíadas.