Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil

Enviada em 04/10/2024

“A Casa no Mar Cerúleo”, de T. J. Klune, é uma obra fictícia em que personagens que outrora foram marginalizados ganham cada vez mais destaque. Analogamen-te, as paraolimpíadas marcam a visibilidade das pessoas com deficiência, porém há inúmeros desafios para que os atletas sejam devidamente valorizados no Brasil. Tal revés perdura pela falta de discussões e pela omissão estatal.

Nesse contexto, não há compreensão suficiente sobre a importância e atuação dos atletas paraolímpicos. Acerca disso, Djalma Ribeiro afirma que é necessário tirar um tema da invisibilidade para que soluções possam ser aplicadas, ou seja, é preciso que as pessoas compreendam o esforço dos atletas e a dificuldade da superação de desafios tão criteriosos quanto os olímpicos. Entretanto, a falta de debates em universidades, escolas e centros comunitários perpetua uma visão comum que, segundo a BBC Brasil, se caracteriza pela infantilização de pessoas com deficiência e menosprezo de suas conquistas. Assim, a mentalidade popular segue marcada pela falta de reconhecimento dos marcos desses atletas.

Ademais, a falta de iniciativa estatal influi na perduração do problema. Referente a isso, Michel Focault afirma que é papel governamental a garantia do bem-estar de todos os cidadãos, o que inclui a igualdade e inclusão, princípios nor-teadores da Constituição Federal de 1988. Todavia, a esfera administrativa falha em assegurar esses direitos ao não promover medidas suficientes para dar destaque aos atletas paraolímpicos que, de acordo com Leslie White, poderiam se transformar em símbolos inspiradores para pessoas com deficiência, especialmente crianças e adolescentes. Desse modo, o governo deve assumir a postura prevista pelo filósofo em prol da minoria social em questão.

Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Educação conscientizar a população sobre o real “peso” das paraolimpíadas por meio de palestras em todos os níveis de educação. Tal iniciativa deve contar com atletas de destaque dessa categoria, bem como sociólogos e médicos. Dessa forma, a sociedade se tornará mais inclusiva e justa por meio da maior representatividade decorrente da valorização dos atletas portadores de deficiência.