Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 09/10/2024
O escultor mineiro Antônio Francisco Lisboa recebeu o apelido de “Aleijadinho” devido a uma deficiência física que o deixava à mercê do julgamento social na época barroca. Analogamente, nos dias de hoje, o capacitismo reverbera nas práticas esportivas a partir de ferramentas como a falta de incentivos fiscais, a qual segrega os atletas paraolímpicos. Dessa forma, notam-se que os desafios para a valorização dessa categoria esportiva resultam da perspectiva estigmatizada da sociedade bem como da linguagem midiática pouco inclusiva.
Sob esse prisma, é primordial destacar a estigmatização como fator agravante da desvalorização dos atletas paraolímpicos. Nessa conjuntura, atrela-se que desde os tempos da Grécia Antiga, os indivíduos acometidos de deficiências físicas eram considerados seres subumanos, sendo privados de suas liberdades individuais. Nesse contexto, embora a sociedade tenha evoluído em termos de inovação, a superação do preconceito social contra PcDs no esporte está longe de ser resoluta, haja vista a pouca visibilidade que esses atletas possuem no ambiente mercadológico. Em outras palavras, isso pode ser observado na falta de patrocínio das grandes marcas para com esses atletas, já que a prioridade são os olímpicos.
Além disso, a Indústria midiática também assume um papel decisivo na valorização dos atletas olímpicos. Isso porque, segundo o sociólogo e jornalista Muniz Sodré, a mídia sugere várias pautas a sociedade que podem influenciar suas opiniões e comportamentos. Diante do exposto e levando-se em conta a desvalorização das paraolímpiadas pelos meios de comunicação, a falta de ênfase nos esportes dessa categoria prejudica a superação do estigma atrelado aos profissionais de todas as modalidades. Desse modo, as conquistas dos jogadores não são devidamente reconhecidas pelo corpo cívico brasileiro.
Com isso, notam-se os desafios para a valorização dos atletas paraolímpicos no Brasil. Portanto, cabe ao TCU (Tribunal de Contas da União) o investimento em instituições capazes de limitar o monopólio midiático. Para tanto, isso pode ser feito por meio do fornecimento de incentivos fiscais a corporações como o Ministério das Comunicações - órgão responsável por regulamentar os serviços de rede - com o objetivo de garantir mais visibilidade aos Jogos Paraolímpicos.