Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil

Enviada em 16/10/2024

No documentário norte-americano “Pódio para todos”, retrata-se as dificuldades enfrentadas pelos atletas paraolímpicos perante as mazelas sociais e o capacitismo. Concomitantemente, é nítido os óbices quanto à valorização das paraolimpíadas na conjuntura social brasileira. Logo, é uma realidade o silenciamento midiático e a negligência governamental às atividades desportivas.

Diante desse cenário, é evidente a omissão da mídia brasileira quanto aos jogos paraolímpicos. Nessa perspectiva, o filósofo Jean-Paul Sartre, afirma que existe um conceito chamado “acomodação social”, segundo o qual há alguns temas que são banidos da discussão coletiva. De maneira análoga ao pensamento de Sartre, a discussão acerca da necessidade de valorização midiática das paraolimpíadas, embora seja essencial para o desenvolvimento estrutural e social da mentalidade brasileira sobre a importância de esportes inclusivos, não recebe a devida atenção, haja vista a ausência de transmissões televisionares de jogos paraolímpicos, bem como o capacitismo midiático na abstração da representatividade social. Dessa forma, nota-se que a invisibilidade do atletismo gera graves rupturas sociais.

Além disso, é válido ressaltar a negligência do Estado quanto à valorização de atletas paralímpicos. Nesse viés, de acordo com o filósofo Norberto Bobbio, as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios das leis, mas também garantir que a população usufrua deles. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Bobbio, a figura estatal precisa não apenas destinar verbas públicas a centros desportivos, mas também assegurar que o atletismo seja reconhecido como uma ferramenta de mudança social. Desse modo, enquanto a marginalização se mantiver, o Brasil conviverá com a exclusão e desvalorização do esporte.

Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que no Brasil há a desvalorização de atletas paraolímpicos. Urge, portanto, que o Ministério do Esporte -órgão responsável pelas políticas nacionais de esporte- faça canais de comunicação voltados às paraolimpíadas e programas de incentivo profissional a atletas despotistas, para que haja a valorização do esporte inclusivo no Brasil. Pois, somente assim, o cenário de “Pódio para todos”, será diferente para os atletas brasileiros na contemporaneidade.