Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 13/10/2024
“A Casa no Mar Cerúleo”, de T. J. Klune, é uma obra fictícia na qual personagens outrora marginalizados ganham cada vez mais destaque, algo que deveria ocorrer na realidade. Todavia, o Brasil contemporâneo enfrenta dificuldades na valorização de atletas paraolímpicos. Tal revés decorre da omissão estatal e da marginalização de pessoas com deficiência (PcD).
Nesse contexto, é notório que a falta de iniciativas governamentais influem na perduração do problema. Acerca disso, Michel Foucault afirma que é papel do Esta-do a garantia do bem-estar de todos os cidadãos, levando em conta os princípios que norteiam a democracia. Sob esse viés, o fundamento da igualdade, que norteia a Constituição Federal de 1988, não é aplicado na prática, uma vez que os esportistas portadores de deficiência não são devidamente reconhecidos, apesar do indubitável esforço e talento. Isso ocasiona a falta de representatividade, que atinge os 23% da população com condições semelhantes aos dos atletas, de acordo com dados do IBGE. Dessa forma, o ideal foucaultiano não é aplicado com ênfase e a Carta Magna falha em assegurar a equidade e a visibilidade dessas pessoas.
Ademais, a estigmatização das PcD reflete a perpetuação do problema. Referen-te a isso, em sua obra “Guerra dos Tronos”, George R. R. Martin escreve sobre “Tyrion”, um personagem que tem sua inteligência constantemente subestimada por possuir nanismo. Paralelamente à ficção, pessoas com condições médicas debilitantes são cotidianamente excluídas do corpo social, por uma falta de inclusão ativa decorrente de uma visão comum marcada pela infantilização e pela atribuição de mérito a “milagres” e “benção divina”. Isso fica evidente em uma pesquisa realizada pela empresa Catho, que revela que apenas 30% das empresas possuem medidas de inclusão e diversidade. Desse modo, a falta de elucidação coloca os PcD e os atletas dessa categoria à margem da sociedade.
Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Edu-cação conscientizar a população sobre o mérito dos atletas paraolímpicos e dos deficientes em geral por meio de palestras em todos os níveis de educação. Tal medida deve contar com médicos e esportistas de destaque e focar na desconstrução de tabus. Assim, o Brasil promoverá a inclusão e a igualdade.