Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil

Enviada em 22/10/2024

A Constituição federal, promulgada em 1988, foi esboçada com o objetivo de delinear direitos básicos para toda a população — como o da dignidade humana. Contudo, hodiernamente, tal postulado é deturpado mediante a desvalorização de atletas paraolímpicos no Brasil. Acerca disso, para se discutir amplamente, hão de ser analisadas a inércia estatal e a ausência de debates.

A priori, a negligência governamental é fator causador da falta de incentivo aos atletas deficiêntes. Nesse sentido, conforme o sociólogo contratualista Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir todas as medidas necessárias para o bem-estar da população. No entanto, o cumprimento dessa premissa não tem ocorrido, haja vista a escassez de políticas públicas — como o investimento na capacitação de profissionais de educação física e programas de incentivo ao esporte inclusivo em escolas públicas — que garantam a inserção de atletas com deficiência nos esportes. Assim, a falta de ação política perpetua a problemática.

Ademais, a desvalorização dos atletas paralímpicos na sociedade também ocorre devido ao silenciamento. Sob essa ótica, a filósofa brasileira Djamila Ribeiro afirma que para se intervir em uma situação, antes, é preciso tirá-la da invisibilidade. Não obstante, o cenário nacional destoa desse pensamento, em virtude da ausência de debates na esfera educacional, gerando uma cultura alienada do aumento de qualidade de vida que a devida inclusão proporciona aos atletas paraolímpicos, cuja contribuição é na saúde e socialização dessas pessoas. Desse modo, enquanto essa nebulosidade sobre a questão se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos problemas mais graves nos esportes: a desvalorização de atletas deficiêntes.

Portanto, medidas interventivas necessitam ser tomadas para reverter a situação. Logo, cabe ao Estado, organização responsável por exercer poder político sobre o corpo social, promover a valorização de atletas paraolímpicos no país. Fará isso por meio da criação do programa “Inclusão Paraolímpica”, que será responsável por capacitar os profissionais de educação física ainda na grade curricular do curso e promover palestras educativas nas escolas,a fim de que o direito prometido na Constituição seja ofertado.