Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil

Enviada em 25/10/2024

A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 prevê a todos o direito à igualdade e à dignidade. Porém, na contemporaneidade brasileira, a concretiação da garantia em voga é dificultada pelo fato de os atletas paraolímpicos enfrentarem desafios por não serem valorizados. Assim, o silenciamneto midiático e a falha estatal são os principais fomentadores da questão.

Nessa perspectiva, aponta-se como um fator determinante a negligência por parte da mídia. Sob esse viés, o sociólogo francês Pierre Bordieu defende que o que foi criado como instrumento de democracia não deve ser usado como mecanismo de opressão. Entretanto, a mídia tem sido pouco democrática em relação aos atletas paraolímpicos já que, na grande maioria dos canais abertos, a transmissão das paraolimpíadas não recebe a mesma atenção que as olimpíadas, com menos horas na programação e menos propagandas de divulgação. Dessa forma, o descaso midiático gera a segregação dos paratletas e contribui para a desvalorização dessa parcela da sociedade.

Além disso, é imprescindível ressaltar a falha governamental como perpetuador da questão. Nesse sentido, o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, em sua obra ‘‘Cidadão de papel’’, afirma que as leis são excelentes na teoria e insuficientes na prática. Sob essa ótica, é coerente apontar que o estado é falho em proteger os esportistas com deficiência, uma vez que as políticas públicas existentes, como o Bolsa atleta, são ineficientes quanto o reconhecimento e exaltação desse grupo social, o que os tornam ainda mais negligenciados.

Portanto, fica claro que o silenciamento e a lacuna governamental promovem o enraizamento do problema. Por isso, cabe ao Ministério da Cultura, órgão responsável pela produção cultural do país, criar campanhas de divulgação dos paratletas, por meio de propagandas na TV e transmissão integral das paraolimpíadas, afim de tornar público o trabalho dos desportistas. Ademais, é papel do Governo Federal, órgão responsável pelo bem-estar social, promover o inventivo aos atletas paraolímpicos, por meio de reforma no programa Bolsa atleta, com destino verba para esse grupo, com o objetivo de combater a desvalorização. Só assim, os Direitos Universais serão plenamente estendidos ao paratletas.