Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 27/10/2024
Zygmunt Bauman defende que “não são as crises que movem o mundo, e sim nossas reações a elas”. Entretanto, não é possível encontrar uma reação interventiva na questão dos desafios para a valorização dos atletas paraolímpicos no Brasil. Logo, deve-se traçar estratégias para mitigar as causas do problema: a inoperância estatal e a invisibilidade diante da mídia.
A princípio, é válido apontar o descaso governamental voltado para a valorização dos atletas paraolímpicos. Segundo o filósofo John Locke, esse cenário configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não garante os direitos ao esporte e lazer das pessoas com deficiência. Nesse sentido, urge que a organização da distribuição das verbas é inadequado, visto que os impostos pagos pela população não são convertidos em financiamentos capazes de incentivar a equidade aos atletas e, assim sendo, negligenciam a qualidade de vida dessas pessoas. Logo, é inadmissível que essa conjuntura continue a perdurar.
Ademais, cabe citar que a invisibilidade perante a mídia é outro agravante à desvalorização das paralimpíadas no país. De acordo com Shopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Análogo ao pensador alemão, é possível destacar a mídia como um dos responsáveis pela invisibilidade desses atletas, dado que não é possível encontrar esforços em propagandas que ampliariam o campo de visão da população aos competidores com deficiência e, desse modo, traria valorização aos indivíduos, como patrocínios e benefícios financeiros capazes de faze-los transcender. Então, é fulcral aumentar a representatividade dessa categoria.
É necessário, portanto, realizar medidas para solucionar esse imbróglio. Logo, cabe ao governo federal, como principal responsável pelo bem-estar dos cidadãos, garantir, por meio de campanhas públicas, o direcionamento de verbas e construções de centros poliesportivos acessíveis à pessoas com deficiência, a fim de preservar os direitos ao esporte e lazer previstos na Constituição. Ademais, é de responsabilidade da mídia, como formadora de opinião, informar, através de propagandas, as competições paralímpicas no país, com o objetivo de trazer visibilidade aos jogos. Dessa maneira o país valorizará o mundo que o cerca.