Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 29/10/2024
Capacitismo é um termo utilizado para definir o tratamento pejorativo a pesso-as com deficiência, seja em termos de acessibilidade ou discriminação. Uma das formas pelas quais o capacitismo ocorre é a redução da pessoa à própria deficiên-cia — por exemplo, acreditar que uma pessoa não é capaz de realizar uma tarefa cotidiana simples, apenas por ser PCD, quando, na verdade, a deficiência em nada interfere na dita atividade. Nesse sentido, pode-se entender que a desvalorização dos atletas paralímpicos no Brasil está diretamente ligada ao capacitismo, baseado na idéia equivocada de que esses atletas são inferiores aos outros. Como conse-quência, temos o baixo investimento em atletas paralímpicos e uma gama gicantes-ca de desafios que se sobrepõem em sua trajetória até o pódium.
Em primeiro lugar, cabe observar que a separação entre jogos olímpicos e para-límpicos acaba criando uma ideia de que esses atletas não poderiam competir em pé de igualdade. Essa crença foi desmistificada nas Olimpíadas de Paris pela tenista de mesa Bruna Alexandre e pelo velocista Gabriel Garcia, os primeiros atletas brasi-leiros a competirem, no mesmo ano, nas Olimpíadas e nas Paraolimpíadas. Isso evi-dencia que, talvez, a distinção só exista pela crença de que é necessária.
Ademais, é importante ressaltar que, mesmo em modalidades esportivas mais populares no Brasil, a luta para conseguir investimento e apoios financeiros é mui-to maior para pessoas com deficiência. Como exemplo, temosa velocista Terezinha Guilermina, medalhista paralímpica que se consagrou como a atleta cega mais rá-pida do mundo, e que mesmo assim já relatou diversas dificuldades para conseguir apoio, indo desde a falta de espaços adequados para treino até a impossibilidade de pagar por acompanhamento especializado.
Portanto, há um problema evidente que precisa ser solucionado. O primeiro passo, a ser executado pelo Governo Federal, por meio do Ministério do Esporte, é estabelecer um programa de auxílio financeiro voltado para atletas com deficiência e de alto rendimento. Em seguida, cabe ao mesmo órgão trabalhar campanhas pu-blicitárias com o intuito de desestigmatizar esses atletas e mostrar que são tão ca-pazes quanto quaisquer outros. Só assim, há de se atingir o objetivo de acabar com a visão capacitista e valorizar, de fato, os atletas paralímpicos do Brasil.