Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil

Enviada em 31/10/2024

De acordo com a escritora Djamila Ribeiro, só é possível agir em uma realidade se essa for tirada da invisibilidade. Tal pensamento reflete o contexto em que se encontram os atletas paraolímpicos do Brasil, que devido a isso enfrentam grandes desafios para serem valorizados. Com isso, emerge um sério problema, em virtude da omissão governamental e do legado histórico brasileiro.

Nesse cenário, ressalta-se, de início, que a precária ação estatal influencia diretamente a falta de visibilidade dos atletas paraolímpicos do país. Diante disso, tem-se a Constituição Cidadã, de 1988, que garante o direito à igualdade para todos os indivíduos da nação. Nesse viés, o Governo falha ao não investir na adaptação das escolas e cidades de modo a desenvolver essas modalidades esportivas e disponibilizar seu acesso para potenciais atletas deficientes - que também são cidadãos -. Logo, enquanto não houver uma postura ativa do Estado em prol de tornar o esporte paraolímpico viável à toda sociedade, esse não será plenamente reconhecido.

Além disso, a excessiva valorização do futebol no território brasileiro se mostra como um pontencializador da falta de destaque de outros esportes, inclusive os paraolímpicos. Ante o exposto, toma-se o fato do Brasil ser o maior ganhador de Copas do Mundo, lhe sendo atribuído o nome de “país do futebol”. Desse modo, a nação desenvolveu-se com um calendário hegêmonico nessa modalidade, contemplando diversas copas anuais que possuem prioridade na mídia dado a sua alta rentabilidade, o que acaba por “roubar” a visibilidade de esportes que são pouco conhecidos pela sociedade. Portanto, faz-se necessário confrontar essa cultura esportiva individualista.

Dessarte, é imprescindível atuar sobre esse problema. Para isso, o Governo, por meio do Poder Executivo Federal, deve criar um projeto de amplificação da relevância do esporte no país por meio da abertura de centros olímpicos e paraolímpicos nas grandes cidades do Brasil, a fim de tornar mais conhecido e acessível as diversas modalidades esportivas, dando ao atleta a oportunidade de “se casar” com o seu esporte, sendo ele deficiente ou não. Afinal, somente assim os competidores paraolímpicos, enfim, receberão o devido reconhecimento.