Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 02/11/2024
A democracia moderna possibilitou o surgimento do Estado de bem-estar social ou, como foi chamado por Otto Von Bismak, “Welfare State”: aquele que garante os direitos essenciais da população. Entretanto, a invisibilade do atletismo paraolímpico no Brasil opõe-se a ideia de um governo que cuida igualmente de seu povo — a falta de incentivo financeiro do estado aos atletas e a escassa cobertura midiática ao esporte para portadores de deficiência, revelam as dificuldades do caminho solitário, que percorre o paratleta, para sua valorização.
Em primeira análise, a falta de uma rede de apoio governamental aos competidores paralímpicos, dificulta não apenas sua trajetória ao sucesso, mas também a valorização do próprio esportista. Haja vista a integração dos ministérios de esporte e de cultura ao Ministério da Cidadania — em 2019, pelo governo federal — os desportistas em questão encontram-se sem visibilidade e com poucos recursos, tanto para evolução em seu desempenho, quanto para tornarem-se reconhecidos e valorizados. Desse modo, a migração de pessoas com necessidades especiais para os campeonatos acaba sendo reduzida.
Além disso, a baixa programação dos grandes veículos de informação, aos eventos da diversidade, desfavorece ainda mais os representantes do esporte adaptado na busca por reconhecimento. Costumes como esse, enraízam na mente do telespectador uma lacuna informativa quanto à realidade paradesportiva. Essa falta de informação, leva a falta de interesse, que reflete na baixíssima audiência as competições inclusivas, tal qual pode ser vista na comparação entre, o recorde de público nas “lives” do influenciador Cazemiro, em sua transmissão dos Jogos Olímpicos de Paris, e a péssima adesão do espectador aos seus programas dos Jogos Paralímpicos de 2024. Dessa forma, aumenta-se mais a distância para a exaltação do competidor adaptado.
Portanto, com objetivo de incentivar os portadores de deficiência a ingressarem no atletismo e incluir a programação paralímpica nas grandes mídias, faz-se necessário um reajuste monetário por parte do atual Ministério da Cidadania, para o patrocínio dos paratletas e a regulação jornalística por meio de leis que reforcem sua representatividade na televisão, aproximando-se assim, da realidade ideal.