Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 04/02/2025
Conforme Nelson Mandela, “O esporte tem o poder de transformar o mundo.” No entanto, ele não tem sido um instrumento de inclusão e transformação social, visto que a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil ainda é um desafio a ser enfrentado. Nesse sentido, é imperioso analisar os motivadores dessa desvalorização.
Sob essa perspectiva, é válido ressaltar o preconceito como um fator que potencializa o problema. O filósofo francês Michel Foucault abordou o conceito de capacitismo, que se refere à discriminação contra pessoas que não se enquadram nos padrões corporais considerados normais e funcionais. Sendo assim, esse pre-julgamento faz com que atletas paraolímpicos sejam vistos apenas como “inspira-doras” pela superação, mas, infelizmente, não como competidores de alto rendimento dignos de prestígio.
Ademais, vale destacar também a falta de incentivo à formação de novos atletas como um dos principais agravantes da questão. O filme Campeões de Ouro retrata a trajetória de esportistas paraolímpicos brasileiros e as dificuldades que muitos enfrentaram para iniciar no esporte. Dessa forma, percebe-se que, em um país sem estímulos nessa área, surgem consequências como o déficit de profissionais especi-alizados no esporte para pessoas com deficiência e a desvalorização de quem o pratica. Um exemplo disso é Petrúcio Ferreira, velocista paralímpico, que só teve acesso ao atletismo aos 15 anos devido à ausência de programas voltados para crianças com deficiência em sua região.
Portanto, percebe-se que a discriminação e a falta de incentivo são obstáculos à valorização dos atletas paraolímpicos no Brasil. Por meio de investimentos em in-fraestrutura acessível e programas esportivos inclusivos - essenciais para a desco-berta e o desenvolvimento de novos talentos -, o governo deve atuar a fim de ampliar as oportunidades para esses competidores. Além disso, com a adoção de políticas eficazes e maior visibilidade na mídia, será possível combater o capacitismo e garantir o devido reconhecimento aos atletas paraolímpicos. Dessa forma, o esporte se tornará mais igualitário, promovendo oportunidades justas para todos.