Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 01/05/2025
De acordo com a ativista paquistã Malala Yousafzai, “A diversidade garante que crianças possam sonhar, sem colocar fronteiras ou barreiras para o futuro e os sonhos delas.”. Porém, no Brasil, a desvalorização de atletas paralímpicos contradiz esse princípio, perpetuando barreiras tanto para os atuais atletas da modalidade quanto futuros. Tal desprestígio é continuado por dois fatores: a negligência estatal e o estigma social que envolve o esporte paralímpico.
Segundo pesquisa de 2016 do Instituto DataSenado realizada com atletas e ex-atletas paralímpicos, 83% consideram os investimentos insuficientes e, para 62%, é difícil obter patrocínios e apoio financeiro, sendo este o principal motivo de abandono do esporte para um terço deles. Tais dados reforçam que a valorização destes atletas é comprometida pelo governo, afinal, a insuficiência de investimentos e a dificuldade para adquirir patrocínios são consequências diretas de seu descaso, tanto por não direcionar fundos quanto por não engajar a população, limitando o número de possíveis patrocinadores.
Ademais, a errônea visão de considerável parte da população contribui para a problemática. Conforme diz a atleta Rosinha dos Santos, “As pessoas precisam enxergar que aqui o atleta com deficiência não é um coitadinho. Aqui, não tem nenhum atleta coitadinho, não. Ninguém aqui tá saindo de casa para conhecer pessoas e superar. Aqui tem atleta de alto rendimento. Igual aos atletas convencionais". Dessa forma, percebe-se que esta percepção discriminatória gera desconsideração por atletas paralímpicos, visto que não são validados da mesma forma que atletas sem deficiência.
Portanto, para eliminar esta barreira e obter a valorização paralímpica, cabe ao Ministério do Esporte direcionar verbas maiores aos esportes paralímpicos, de modo a suprir as necessidades dos atletas. Além disso, cabe ao Ministério da Comunicação elaborar propagandas, de modo a popularizar e trazer patrocínios à modalidade. Por fim, é dever do Ministério da Educação realizar campanhas educativas a fim de mitigar os estigmas populacionais sobre os atletas.