Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 26/04/2025
A prática esportiva é uma importante exemplo de inclusão social e superação de limites. No entanto, no Brasil, atletas paralímpicos ainda enfrentam uma série de desafios para alcançar a sua devida valorização. A falta de visibilidade midiática e o preconceito enraizado na sociedade brasileira são problemas que dificultam o reconhecimento de seus feitos e a promoção da igualdade no esporte.
Primeiramente, a falta de cobertura da mídia tradicional sobre competições paralímpicas contribui para a invisibilidade desses atletas. De acordo com Pierre Bourdieu, a mídia tem o poder de moldar a percepção social ao selecionar o que merece destaque, influenciando os indivíduos. Nesse sentido, enquanto eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas convencionais recebem ampla divulgação, os Jogos Paralímpicos e outras competições adaptadas são pouco noticiados, o que limita o acesso da população às histórias de superação e conquistas desses esportistas. Essa ausência de visibilidade reforça a ideia de que o esporte paralímpico é secundário, o que dificulta a atração de patrocínios e investimentos.
Além disso, o preconceito estrutural contra pessoas com deficiência no Brasil afeta diretamente a valorização dos atletas paralímpicos. A teoria do “capacitismo”, conceito discutido pela pesquisadora Silvia Lisboa, explica como a sociedade valoriza corpos considerados “normais” e marginaliza aqueles que fogem desse padrão. Assim, os atletas paralímpicos são frequentemente vistos apenas sob a superação pessoal, e não como resultados de alta performance esportiva, o que desvaloriza sua preparação técnica e seu potencial. Essa visão impede que a sociedade reconheça o esporte paralímpico como uma manifestação de excelência e não apenas de resistência.
Portanto, cabe ao poder público, em parceria com veículos de comunicação e instituições esportivas, promoverem a educação para a diversidade, por meio de campanhas de incentivo à visibilidade do esporte paralímpico. Só assim será possível construir uma sociedade que valorize de maneira justa todos os seus atletas, independentemente de suas condições físicas.