Desafios para a valorização de atletas paraolímpicos no Brasil
Enviada em 01/05/2025
No Brasil, o esporte é frequentemente exaltado como expressão de superação e talento, especialmente em eventos como as Olimpíadas, mas quando se trata dos Jogos Paralímpicos observa-se um descompasso entre os resultados alcançados pelos atletas e o reconhecimento social que recebem. Embora o país tenha se destacado no cenário paralímpico internacional, como aponta o pesquisador Rafael Reis, diversos fatores ainda impedem a plena valorização desses esportistas, revelando um quadro de invisibilidade e preconceito estrutural. Um dos principais atraves para essa valorização é a escassa cobertura midiática dos eventos paralímpicos. Afirma a secretária nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a mídia brasileira ainda não compreendeu o potencial das Paralimpíadas, tal ausência contribui para a manutenção do desconhecimento público sobre suas histórias e feitos.
O preconceito enraizado na sociedade brasileira em relação à deficiência reforça estigmas que dificultam a valorização desses atletas. “Há o estereótipo de que a pessoa com deficiência não é capaz e, por isso, associar uma marca a esses corpos marcados pela diferença pode ser visto como um risco para as empresas” diiz a professora Tatiane Hilgemberg.
Apesar desses obstáculos, o sucesso do Brasil nos Jogos Paralímpicos não é fruto do acaso. A criação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), em 1994, foi um marco para a organização e o investimento no esporte adaptado. No entanto, políticas públicas de incentivo à formação de atletas, patrocínio e divulgação ainda são insuficientes, o que torna desigual a comparação entre os recursos destinados aos esportes olímpicos e paralímpicos.
Diante disso, o Estado, em parceria com os meios de comunicação e o setor privado, deve promover campanhas educativas e publicitárias que valorizem os atletas paralímpicos, desconstruindo estigmas e apresentando seus feitos ao grande público.Assim, será possível avançar na construção de uma sociedade mais inclusiva e justa, que reconheça o valor e a potência dos corpos diversos.