Desafios para combater a violência estrutural no Brasil
Enviada em 24/10/2023
Chimamanda Adichie afirma que a mudança do “status quo” - o estado das coisas - é penosa. Nessa perspectiva, percebe-se tal dificuldade de mudança no combate a violência estrutural no Brasil, a qual é entendida como a restrição do acesso aos direitos básicos (tornando o indivíduo mais vulnerável ao sofrimento e a morte). Dessa forma, a problemática persiste devido não só ao legado histórico de desigualdade social, mas também à ineficiência governamental no país.
É indubitável, nesse contexto, que a herança histórica está na base do problema. Para Lévi-Strauss, só é possível entender a sociedade por meio dos eventos históricos. De fato, o passado explica boa parte do comportamento coletivo quanto à violência estrutural, visto que desde o Brasil colônia, os governantes procuravam atender, preferencialmente, aos interesses da coroa e seus iguais - deixando a população marginalizada, sem acesso à educação, à segurança e, consequetemente, sem acesso à trabalhos dignos. Logo, sem se desprender do legado que o passado deixou, o problema se perpetua.
Além disso, a ineficiência governamental ainda é um grande impasse para a resolução da questão. Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto ao combate a violência estrutural, uma vez que o governo continua inerte à problemática da desigualdade social, a qual é desencadeada através do desemprego, da educação precária e da exclusão de indivíduos afetados pela omissão governamental. Assim, para que tal bem-estar seja usufruído, o Estado precisa sair da inércia em que se encontra.
Portanto, faz-se necessária uma intervenção. Para isso, o governo federal deve criar uma agenda específica para o combate à violência estrutural, por meio da organização de fundos e projetos, a fim de reverter a inércia estatal que afeta a população mais carente. Tal ação pode, ainda, conter consultas públicas para entender as reais necessidades dessas pessoas. Paralelamente, é preciso intervir sobre o legado histórico presente no problema. Dessa maneira, será possível mudar o estado das coisas, mesmo que de forma penosa, como defendeu Adichie.