Desafios para combater a violência estrutural no Brasil

Enviada em 23/10/2023

Em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor português José Saramago des-creve uma cidade fictícia, na qual, paulatinamente, as pessoas vão ficando cegas. Na trama, o autor dessa alegoria para criticar a falta de altruísmo e cooperação no mundo contemporâneo, em que os indivíduos se preocupam cada vez menos com o bem-estar coletivo. Ao transpor a ficcção e analisar a atual conjuntura brasileira, percebe-se que a obra exemplifica a realidade vivenciada no País, uma vez que a mitigação da violência estrutural no Brasil representa um problema que não recebe a devida atenção no território nacional. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e a exclusão social impulsionam tal problemática, com o intuito de solucioná-la.

Diante desse cenário, nota-se a inoperância governamental como fator agra-vante da violência estrutural no País. De acordo com o geógrafo Milton Santos, em seu texto “As Cidadanias Mutiladas”, a cidadania atinge a plenitude de sua eficácia quando os direitos do corpo social, em sua totalidade, são homogeneamente des-frutados. Todavia, no contexto hodierno, a passividade do Estado distancia a popu-lação dos direitos constitucionalmente garantidos, à medida que os cidadãos brasi-leiros são continuamente expostos ao quadro de violência generalizada.

Ressalta-se, ademais, que a exclusão social potencializa esse cenário. Nesse vi-és, o Estado, a preterir a segurança social por estádios de futebol e carnaval, coa-duna com o que afirma o renomado economista Murray Rothbard: “a classe polí-tica, em detrimento do interesse público, toma decisões baseadas em interesses próprios”. Em decorrência disso, mantém-se o quadro de ausência de ações efeti-vas no que tange à reversão desse contexto, fragilizando, com isso, a cidadania plena no País. Dessa forma é imprescindível combater a exclusão social, viste que é uma das causas fundamentais do problema.

Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Portanto, cabe ao Estado, através de políticas públicas, criar projetos de inclusão social nas áreas foco de violência. A fim de garantir o acesso à cidadania e, por consequência, o rompimento com a violência estrutural nas áreas. Assim, através da cooperação estatal, o Brasil encontrará uma merecida paz.