Desafios para combater a violência estrutural no Brasil

Enviada em 19/03/2024

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença”. No entanto, no contexto brasileiro atual, observa-se justamente o contrário em relação à saúde mental dos idosos. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para remediar a deterioração da saúde mental, causada pelo preconceito da sociedade e pela exclusão social vivenciados durante a velhice.

Sob esse viés, é crucial atentar para a importância das relações interpessoais como mantenedoras do estigma social contra idosos. O sociólogo Zygmunt Bauman caracteriza a atualidade como uma “modernidade líquida”, que remete à relações interpessoais superficiais, onde os indivíduos não buscam entender a realidade dos outros. Conforme isso, em março de 2023, ganhou repercussão nas redes sociais um vídeo em que três universitárias hostilizavam uma mulher mais velha, alegando que: “Ela tem 40 anos já. Era para estar aposentada”. Assim, percebe-se a concretização da modernidade líquida na materialidade, tornando a falta de empatia um grande estímulo para a perpetuação de problemas psicológicos na população mais velha.

Em consequência disso, surge a questão da marginalização enfrentada na terceira idade. A animação infantil “Up: Altas Aventuras” retrata a solidão na velhice, narrando a história de um idoso isolado da sociedade após passar por grande trauma. Fora da fantasia, essa é a realidade de muitos indivíduos que ficam privados de relações fundamentais ao desenvolvimento humano, conforme salienta o sociólogo Émile Durkheim ao discutir o conceito de socialização.

São necessárias, portanto, ações urgentes para mitigar essa situação. Para isso, é necessário que o Ministério da Cultura, em parceria com as mídias de grande alcance, promova o compartilhamento de informações sobre problemas psicológicos que podem afetar a terceira idade, não sob o prisma da discriminação, mas da integração dessa parcela da população no corpo social; por meio de documentários, programas e reportagens, a fim de ampliar o conhecimento da população sobre esse assunto.