Desafios para combater a violência estrutural no Brasil
Enviada em 02/07/2024
Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defende a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a razão e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse contexto, ao presenciar a violência estrutural no Brasil, vê-se que o princípio aristotélico não é alcançado, na medida em que desigualdade social e negligência do Estado ainda são fatores que potencializam essa característica social e, infelizmente, dificultam a construção de um ambiente ideal.
Inicialmente, é notório que a desigualdade social está relacionada a um problema estrutural. Tal conjuntura, de acordo com Kant, é análoga à “Menoridade Intelectual”, na qual caracteriza a falta de autonomia dos indivíduos sobre seus intelectos. Nesse raciocínio, ao observar a violência presente no Brasil, percebe-se que o cidadão, incapaz de assumir uma postura crítica, torna-se refém da “Menoridade”, crescendo em um mundo desigual e ensinado a ser violento desde cedo, consequentemente, banaliza essa realidade.
Ademais, nota-se a negligência Estatal como um fator que dificulta a resolução do entrave, uma vez que o governo ignora este problema social gerando uma má distribuição no compartilhamento de recursos, dificultando o desenvolvimento e aumentando a fome e a pobreza no Brasil. Nesse contexto, conforme Zygmunt Bauman, em sua teoria “Instituições Zumbis”, as instituições sociais, como o Estado, dissolveram suas funções de controle e regimento da ordem, sendo “zumbis” pelo fato de manterem-se vivos, mas sem eficácia de intervenção. Por essa razão que a violência ainda é evidente na sociedade brasileira.
Portanto, é crucial reverter o quadro atual. Para que a violência diminua, o governo, responsável por promover políticas e ações em prol do bem-estar da população, deve desenvolver campanhas educativas sobre os variados tipos de violência, por intermédio de diferentes canais de comunicação, como redes sociais, televisão, rádio e revistas, visando alcançar um amplo espectro da sociedade para construir um ambiente mais saudável e inclusivo para a população. Dessa forma, a população será capaz de sair da “Menoridade Intelectual” e, felizmente, concretizar os ideais aristotélicos.