Desafios para combater a violência estrutural no Brasil

Enviada em 25/09/2024

A obra “O cortiço”, do naturalista Aluísio de Azevedo, retrata as péssimas condições vivenciadas pelos moradores de São Romão, uma vez que é evidenciada a persistência de casos de agressão. Assim como na obra, esse cenário está se tornando comum na sociedade, visto que casos de agressividade estão cada vez mais presentes na vida dos brasileiros. Nesse âmbito, o livro entra em sintonia com a nefasta perpetuação dos desafios para combater a violência estrutural no Brasil, já que estão ligados ao legado histórico e à ausência de debate no corpo social.

Sob esse viés, vale ressaltar que o legado histórico de um país é de grande importância para determinar como será o comportamento da sua população. No entanto, apesar da excelência em ter um povo socialmente civilizado, nota-se que não há essa conduta na realidade brasileira, dado que atos de violência são utilizados para solucionar desentendimentos, como exemplo, atitude de revolta e agressão no meio do trânsito, apenas por não saber conversar e ter paciência com o próximo. Tais fatos são evidenciados desde o Período Colonial, no qual os portugueses utilizavam da agressão para ter o controle dos escravizados, assim, solucionando possíveis desacordos. Dessa forma, foi construído um povo com raízes violentas, tornando a violência um problema estrutural e de dificil combate.

Além disso, salienta-se que a falta de debate no corpo social sobre a recorrência dos casos de violência está interferindo continuadamente em sua resolução. Desse modo, pode-se afirmar que prova desse impacto é a banalização dos casos de agressão, já que os cidadãos estão habituados com a ocorrência deles no dia-a-dia, uma vez que esse problema vem da base estrutural da comunidade, o povo se abstém de reivindicar soluções. Nesse viés, com base nos estudos de Lima Bareto, escritor pré-modernista, “O Brasil não tem povo, tem público”, dessa maneira, é inadmissível um país que é grandiosamente populacional não tenha participação ativa, deixando de lado os debates sobre formas de combater a violência presente em sua sociedade.