Desafios para combater o tráfico ilícito de bens culturais brasileiros
Enviada em 17/05/2024
Na telenovela “O outro lado do paraíso”, disponibilizada pelo Globoplay, é re-tratada uma comunidade quilombola que vende suas peças artesanais por centa-vos a uma empresa, que vende essas peças por milhares de reais. Dessa forma, compreendemos que o comércio desregularizado de bens culturais é uma realida-de brasileira. Assim, há a necessidade de disseminar o valor social desses bens, fre-ando seu tráfico, causador da perda de itens de pesquisa e até da desvalorização da cultura do Brasil.
Exemplificando o impacto na pesquisa historiográfica que o extravio dessas pe-ças pode causar, podemos verificar o caso do incêndio no Museu Nacional de 2018, que extinguiu a ossada humana mais antiga já encontrada no país, prejudicando as investigações sobre ela. Desse modo, pode-se projetar essa perda para os incon-táveis furtos de bens culturais que ocorrem todos os anos, retirando dos pesqui-sadores brasileiros a oportunidade de concluir seus trabalhos e colaborar para o desenvolvimento científico no país.
A desvalorização da cultura do Brasil não é apenas fruto do comportamento es-trangeiro, mas também dos próprios cidadãos brasileiros. Esse desprestígio pode ser observado em praticamente todas as áreas culturais praticadas em território nacional. De acordo com a Revista Piauí, da Folha de São Paulo, em 2023 (até o mês de setembro), 83% das salas de cinemas exibiam filmes estrangeiros. Nessa pers-pectiva, é indiscutível o impacto que o tráfico ilegal de materiais culturais pode causar na visibilidade da cultura brasileira.
Em síntese, observa-se que o comércio irregular de itens culturais brasileiros não pode continuar. Logo, o Ministério da Educação deve investir em visitas técni-cas de alunos de todas as idades a museus e acervos, por meio de direcionamento de verba, para conscientizar a população da importância desses objetos. O cur-rículo das aulas de história e sociologia também deve ser alterado, para comportar as visitas sem alterar o conteúdo programático.