Desafios para garantir a permanência de lactantes no mercado de trabalho

Enviada em 31/07/2026

A minisérie americana “Maid” apresenta a história de uma jovem mãe que, sem recursos financeiros, passa por muitos desafios ao ter de trabalhar e sustentar sua filha pequena. Além da ficção, os problemas presentes na maternidade brasileira, desde o nascimento do bebê, são recorrentes no cotidiano do país. Em especial, ainda existem diversos impasses na garantia da permanência de lactantes no mercado de trabalho; dentre eles, destacam-se a desvalorização da mulher no ambiente laboral e o desrespeito às leis de proteção a lactantes neste espaço.

Primordialmente, a participação feminina no ambiente de trabalho, até o período contemporâneo, sempre fora desigual. Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desigualdade salarial entre homens e mulheres - no mesmo cargo - ainda está presente no Brasil. Assim, é perceptível que a ocupação feminina nos cargos de trabalho não é devidamente valorizada. Com a adição de intervalos e necessidades extras, utilizados pelas lactantes, é possível que empregador aprecie ainda menos a participação feminina no ambiente, fomentando o sentimento de desvalorização na própria colaboradora, podendo levar ao abandono do posto.

Em consequência, o desrespeito às leis de proteção das lactantes também é um forte desafio à permanência no trabalho. A escritora americana Bell Hooks, em seu livro “O feminismo é para todos”, identifica que a luta dos direitos plenos da maternidade no espaço laboral ainda é recente. Logo, a transformação desses espaços em ambientes apropriados, com suporte às mulheres e seus bebês, ainda não é algo garantido por todos os lugares. A falta de suporte, deste modo, também pode levar a futura saída do cargo.

Portanto, é necessário que o Estado elabore planos de ação que ofereçam suporte e valorizem lactantes no mercado de trabalho. Assim, o Ministério do Trabalho deve, por meio da criação de órgãos fiscalizadores, multar ambientes laborais que não atendem às especificações da CLT. Também deve, por meio de propagandas e anúncios redirecionados a empregadores, promover a igualdade e valorização das mulheres. Por fim, tais ações deverão, desta forma, fomentar a permanência feminina no mercado de trabalho, sejam ou não lactantes.