Desafios para garantir a permanência de lactantes no mercado de trabalho

Enviada em 15/04/2025

Em 1992, o Fundo das Nações Unidas para a Infância criou o “Agosto Dourado” para conscientizar quanto à importância da amamentação. Contudo, atualmente, mulheres lactantes enfrentam desafios para permanecer no mercado de trabalho, devido à ausência de políticas de apoio à amamentação nas empresas e à persistência de uma cultura laboral que desvaloriza a maternidade no ambiente profissional.

Diante desse cenário, o primeiro entrave à permanência de lactantes no meio empregatício é a falta de estrutura nas empresas para acolher essa fase da maternidade. Segundo o IBGE, em 2022, metade das mulheres deixou seus empregos antes de dois anos após o nascimento do filho. Isso ocorre, pois mesmo com a legislação garantindo intervalos para amamentação até os seis meses de vida da criança, muitas organizações ignoram essa regra ou não oferecem locais adequados.

Assim, a decisão de deixar o trabalho por dificuldade em amamentar evidencia a carência de apoio institucional. Soma-se a isso a persistência da cultura corporativa que associa a maternidade à baixa produtividade. Como consequência, lactantes enfrentam desconfiança, são preteridas em promoções e sofrem sobrecarga ao conciliar funções profissionais e maternas. Nesse sentido, o filme “Que Horas Ela Volta?” retrata a protagonista que abdica da convivência com a filha para manter seu emprego. A mentalidade excludente no meio trabalhista, portanto, dificulta a permanência das lactantes e aprofunda as desigualdades de gênero.

Dessa maneira, para garantir o acolhimento à maternidade no ambiente profissional, o Ministério do Trabalho, regulador das relações laborais, deve otimizar a política nacional de acolhimento à maternidade, já prevista no Programa Empresa Cidadã, por meio de incentivos fiscais às empresas que criem salas de amamentação e respeitem os intervalos legais. Ademais, o Ministério da Educação deve promover campanhas de conscientização no ambiente corporativo sobre a importância do aleitamento. Com isso, a permanência das lactantes no mercado de trabalho será assegurada.