Desafios para garantir a saúde mental de idosos brasileiros
Enviada em 07/03/2024
Nos desenhos animados asiáticos, é comum os mais velhos serem retratados como sábios e os mais fortes guerreiros, próximo ao mestre Shifu, do desenho Kung Fu Panda, que é considerado um antigo mestre. Para além da ficção, essa fi-gura idealizada contrasta com a realidade da sociedade brasileira, já que os idosos não são poderosos como visto nos desenhos, e possuem sérios desafios que po-dem afetar a saúde mental e a vida social, muitas vezes, depois da aposentadoria.
De acordo com o comentaria da aposentada Jairê Marques, de 84 anos, na repor-tagem da BBC, “Depois que me aposentei, fiquei muito mal e passei uns anos as-sim”. Nesse sentido, a aposentadoria é um dos fatores que levam os mais velhos a se sentirem vazios e sem proposito, uma vez que o trabalho faz parte de quase to-da a vida, e quando se aposenta, é como se perdesse o proposito e a sua rotina, pois com mais tempo livre e menos obrigações diárias, os idosos perdem as ativi-dades que preenchiam o seu dia. Isso pode desencadear uma diminuição das inte-rações sociais e de atividades físicas, diminuindo o bem-estar emocional e aumen-tando o risco de desenvolver a depressão.
Ademais, para alguns idosos os contatos sociais podem ter sido construídos no ambiente de trabalho, assim, quando param de prestar serviços, essas pessoas po-dem ter dificuldades de criar novas conexões sociais, levando ao isolamento e pro-blemas emocionais. Segundo análise publicada em 2013 pelo Instituto de Estudos Econômicos (IEA), a aposentadoria pode elevar em 40% as chances de desenvolver depressão. Portanto, os idosos são os mais propensos a desenvolver doenças psi-cológicas, visto que a aposentadoria desempenha um papel crucial nesse contexto.
Desse modo, medidas devem ser tomadas para resolver esse impasse, como o apoio das Organizações não Governamentais (ONGs) especializadas em auxiliar com psicólogos, de forma a darem suporte emocional aos idosos para conseguirem se adaptar a essa nova etapa da vida. Paralelamente, a Secretaria Nacional do Direito da Pessoa Idosa deve incentivar essas ONGs utilizando as redes sociais e outras formas de comunicação, para ampliar o alcance desses serviços e garantir que todos que precisam de ajuda possam acessá-la. Desta maneira, essa coopera-
ção é fundamental para promover uma velhice mais confortável a todos.