Desafios para garantir a saúde mental de idosos brasileiros
Enviada em 23/10/2024
No período medieval, a população era orientada pelo modelo teocêntrico, que relacionava doenças a questões religiosas. Essa associação contribuiu para que os indivíduos evitassem discutir sobre as enfermidades, e assim, os males eram tratados com repulsa social. Infelizmente, tal prática tem se reverberado com ênfase quando se observa a ausência de discussões a respeito da saúde mental dos idosos. Assim, com o fito de mitigar as consequências intrínsecas a falta de apoio a este grupo, é necessária a análise dos fatores, bem como a negligência estatal e a normalização da mazela, que agravam a conjuntura.
Diante desse cenário, é válido frisar que a ineficácia do Estado em investimentos na saúde pública intensifica a problemática. Destarte, os princípios esculpidos nos artigos 5° e 6° da Constituição Federal de 1988, conforme o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein relatou em sua obra ́ ́”Cidadão de Papel”, vigoram apenas na teoria, uma vez que na prática se observa a falta de psicólogos, psiquiatras e outros profissionais do meio mental, com os quais pessoas da terceira idade poderiam consultar, dialogar e assegurar seu bom estado psíquico. Resta evidente, pois, a inibição do progresso social por políticas públicas frágeis e ineficientes.
Ao longo da obra ́ ́”Eichmann em Jerusalém”, a filósofa alemã Hannah Arendt discorre acerca do conceito ́ ́”Banalidade do Mal”, o qual se refere ao impacto da abstenção do pensamento societário no ato de tornar aceitáveis mazelas sociais. No contexto da saúde mental dos idosos, a falta de debate e atenção da sociedade ao intelecto das pessoas mais velhas, contribui para o agravamento de suas condições, normalizando o sofrimento dessas pessoas. Ante o exposto, enquanto a escassez de debates for a regra, idosos mentalmente saudáveis serão a exceção.
Depreende-se, assim, que a falta de assistência aos idosos é um problema de alta relevância e deve ser mitigado assertivamente. Para isso, cabe ao Ministério da saúde - órgão responsável pela promoção da saúde - pressionar o Estado no que se refere a inserção de psicólogos e psiquiatras ao setor público de saúde(UPAs e UBSs), a fim de que a qualidade de vida dos idosos seja promovida através de consultas frequentes. Além disso, é dever da sociedade se mobilizar em prol da conscientização sobre a importância da saúde mental, criando redes de apoio e solidariedade. Com tais medidas, espera-se uma realidade em que os idosos possuam dignidade e bem-estar, como retratado na obra “Cidadão de Papel” que evidencia a luta por direitos e reconhecimento social.