Desafios para garantir a saúde mental de idosos brasileiros

Enviada em 24/06/2024

No filme “Viva: a vida é uma festa”, é narrada a história de uma família mexicana. Ao longo da trama, a narrativa revela a importância da memória e da afetividade, especialmente para os mais velhos. Além da ficção, é fato que a realidade apresentada na obra se relaciona àquela do século XXI: o ritmo de vida acelerado e a invisibilização como fatores prejudiciais à saúde mental dos idosos durante a pandemia.

Em primeiro plano, é importante destacar que na atualidade as relações interpessoais, em qualquer idade, se tornam menos sólidas. Em sua tese “modernidade líquida”, Zygmunt Bauman afirma que as conexões entre as pessoas hoje em dia são frágeis e maleáveis, como a água. Sob esse prisma, com essa mudança nos hábitos, os idosos acabam se sentindo mais infelizes, pois não têm relações familiares próximas como em épocas anteriores. Desse modo, é necessário que familiares forneçam apoio emocional aos idosos que têm por perto, mesmo com as características da modernidade.

Em segundo plano, o silenciamento dessa problemática só retarda a sua solução. Segundo a pensadora Djamila Ribeiro, para atuar sobre um problema, é necessário retirá-lo da invisibilidade. Nesse viés, o tema foi muito pouco debatido durante e após o isolamento social, principalmente devido a um silenciamento da mídia, que ao tratar sobre saúde mental, não se preocupou em fornecer o ponto de vista de pessoas da terceira idade. Dessa forma, deve haver um esforço da mídia e da população para lidar com a saúde mental dos idosos.

Portanto, medidas são necessárias para atenuar o quadro atual. O Ministério da Saúde, responsável por políticas de proteção aos idosos, deve criar um programa de valorização da vida do idoso. Isso deve ser feito por meio da criação de um portal de atendimento via telefone, para que as pessoas mais velhas se sintam ouvidas. Somente assim será possível demonstrar respeito aos mais velhos, assim como no filme “Viva”.