Desafios para garantir a saúde mental de idosos brasileiros

Enviada em 27/05/2025

Na obra ‘‘A condição humana’’, a filósofa Hannah Arendt destaca que o envelheci-mento não deve ser visto como decadência, mas como uma etapa legítima da experiência humana. No entanto, no Brasil, a população idosa ainda enfrenta inúmeros obstáculos para viver com dignidade e os desafios para a garantia da saúde mental desse grupo social está presente de forma frequente. Dessa forma, a negligência estatal e a fragilidade dos vínculos familiares são agravantes desse panorama vigente.

Sob um prisma inicial, aponta-se para a exiguidade de políticas públicas voltadas ao idoso como comprometedoras da qualidade da saúde mental. Conforme a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado assegurar o direito à saúde, à assistência e ao lazer para todas as faixas etárias, incluindo as pessoas com mais de 60 anos. Entretanto, na prática, muitos municípios carecem de estrutura mínima para atender a esse público, com falta de centros de atendimento, cuidados médi-cos especializados e espaços de convivência. Portanto, essa omissão contribui para o adoecimento psicológico dos idosos, além de perpetuar situações de abandono e carência social.

Ademais, ante uma égide secundária, a ausência de apoio familiar é um dos prin-cipais fatores prejudiciais ao bem-estar da população idosa. Nesse sentido, o soció-logo Émile Durkheim destaca a importância da coesão social para a proteção dos indivíduos mais vulneráveis. A partir dessa perspectiva, a desestruturação das famí-lias, o ritmo acelerado e o individualismo crescente reduzem o tempo e a disponi-bilidade para o cuidado com os mais velhos. Por conseguinte, muitos idosos enfrentam o abandono, solidão e desamparo dos seus núcleos familiares. Logo, a fragilidade dos vínculos familiares atua como dificultador na garantia de qualidade de vida mental na terceira idade.

Depreende-se, portanto, a necessidade haver de um compromisso institucional. Destarte, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, reponsável por políticas de proteção social, por meio de parcerias com ONGs e prefeituras, criar centros comunitários para idosos, objetivando convivê-ncia e vínculos sociais. Desse jeito, uma sociedade com idosos saudáveis surgirá.