Desafios para garantir a vacinação dos brasileiros
Enviada em 09/10/2018
Em meados do meados do século XX, com o início dos controles de doenças infecciosas, como a varíola, por meio da imunização, cultiva-se a ideia de que essas doenças foram erradicadas definitivamente, devido sua menor expressão ao longo dos anos. Entretanto, nos dia atuais, no Brasil, percebe-se que a garantia da vacinação representa um desafio a ser enfrentado de forma mais organizada pela sociedade. Dessa forma, convém analisar as principais causas e possíveis soluções para atenuar esse problema.
Em primeiro plano, ressalta-se que a Revolta da Vacina, que foi uma resposta da população às medidas hostis do sanitarista Oswaldo Cruz, o qual colocou a vacinação como obrigatória, originou-se pela falta de diálogo entre o poder público e a população sobre os efeitos e benefícios da vacinação. Ao seguir essa linha de pensamento, na atualidade, percebe-se que muitos pais estão deixando de vacinar seus filhos por receio de reações prejudiciais ao organismo que o patógeno pode causar. Isso se evidencia segundo dados da Organização Mundial da Saúde, que em 2016, a cobertura da poliomielite foi a menor em 12 anos. Diante disso, é inegável que falta de vínculo da população com o sistema público de saúde representa uma ameaça concreta, não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos, como a todos os cidadãos, que indiretamente, também figuram como vítimas de seu legado.
Nesse viés, nota-se que de acordo com dados do portal de notícias G1, o Brasil, em 2017, infelizmente, teve a menor taxa de imunização infantil das última décadas. De maneira análoga, observa-se que esse entrave favoreceu o retorno de doenças erradicadas, como o surto de sarampo na região Norte, provocado pela vinda de venezuelanos fugindo da guerra civil que assola a Venezuela. No entanto, grande parte da população brasileira atribui à culpa do surto aos venezuelanos, porém o retorno dessa doença está diretamente relacionado ao desconhecimento sobre os calendários de vacinação e a importância da imunização como profilaxia do sarampo. Desse modo, é inadmissível que o brasileiro faça uso de argumentos xenofóbicos para justificar sua irresponsabilidade social, visto que a vacina é distribuída gratuitamente. Logo, essa realidade torna evidente a necessidade de se pensar em ações que amenize essa problemática.
A fim de solucionar esse empecilho, é necessário uma ação mais pontual do Poder Executivo. Dessa forma, o Ministério da Saúde, em parcerias com as emissoras de televisão e rádio, devem elaborar medidas que visam ampliar campanhas de imunização, por meio de propagandas, reportagens, entrevistas com profissionais da saúde, de modo que esclareça a importância da prevenção de doenças infeciosas e desconstruir discursos preconceituosos. Espera-se, com esses atos, que esse empasse amenize gradativamente.